1 em cada 4 senadores tem propriedade rural

Entre deputados, percentual é de 16%, mas números podem ser bem maiores.

Conjuntura / 21:53 - 8 de set de 2020

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Somente 7 dos 513 deputados federais se autodeclararam no exercício de atividades relacionadas à agropecuária. No Senado, esse número é de apenas 1. No que se refere às propriedades no campo, no entanto, de 10% a 16% dos deputados têm propriedades rurais declararam, quando observados os dados do TSE e do Incra, respectivamente.

No Senado, esse percentual é hoje de 25%, ou seja, 1 a cada 4 senadores possui bens rurais. Se incluídos os dados do Incra, essa proporção sobe para 35%. O levantamento foi feito pelo Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB), plataforma que é resultado da colaboração entre o Núcleo de Estudos sobre o Congresso (Necon) e o Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (Lemep), ambos do Iesp-Uerj.

O OLB utilizou dados do TSE, do Incra e do Ruralômetro (plataforma criada pela ONG Repórter Brasil). O Observatório destaca que não é tarefa simples identificar parlamentares vinculados direta ou indiretamente ao agronegócio. Os números apurados, portanto, devem ser encarados como piso, não teto.

O Senado supera a Câmara no que se refere ao valor das propriedades listadas. O valor médio no Senado é R$ 1,98 milhão, enquanto na Câmara é de R$ 570 mil. Nas duas casas, boa parte dos proprietários possui mais de uma propriedade rural.

No que se refere à distribuição partidária, utilizados os dados do TSE, cinco partidos de centro e centro-direita reúnem sozinhos 60% dos proprietários rurais do Congresso – MDB, PSD, PP, PL e DEM. “Quando observado o percentual de proprietários por partido, observamos novamente a prevalência desses partidos. No MDB (25%) e no DEM (23,5%), inclusive, o percentual de proprietários supera 20% de suas bancadas no Congresso.”

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é a maior frente mista atualmente existente, reunindo quase 50% dos membros de cada casa – 246 deputados e 39 senadores. O tamanho é suficiente para fazer avançar proposições de interesse e barrar iniciativas contrárias ao setor, destaca o OLB.

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