Três em 10 brasileiros busca crédito ‘jogando no Google’

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Segundo levantamento do Global Entrepreneurship Monitor, em 2019, dois em cada cinco brasileiros estavam à frente de uma atividade empresarial ou tinham planos de ter um negócio, o que representa cerca de 52 milhões de pessoas. Pouco antes da pandemia, o PayPal e o Opinion Box pesquisaram virtualmente para saber como anda o mercado de crédito brasileiro, quais os desafios de quem precisa de dinheiro para crescer – ou se manter – e as dores de quem tem medo de contrair dívidas junto a bancos e financeiras.

A pesquisa, intitulada "Crédito no Brasil 2020", ouviu 614 homens e mulheres acima de 18 anos, decisores em empresas de todo o país (via questionário digital), entre os dias 10 e 20 de janeiro deste ano.

A maior parte dos entrevistados gerencia ou é dono de empresas de varejo e comércio (25%) ou de serviços (17%). A maior parte dos respondentes (35%) tem entre 30 e 39 anos; 21% têm entre 40 e 49; e 15%, entre 25 e 29. Os jovens (entre 18 e 24 anos) representaram apenas 11% da amostragem; e a faixa pós-50 anos, 18%. Dos 614 respondentes da pesquisa, 49% são do Sudeste; 21%, do Nordeste; 15%, do Sul; 8%, do Centro-Oeste; e 7% são da Região Norte.

No geral, 59% dos entrevistados vendem produtos e serviços de forma virtual e física; enquanto 32% vendem apenas em lojas físicas. Somente 9% vendem exclusivamente online (índice que aumenta para 14% no caso das empresas com faturamento mensal até R$ 3.245. Carteiras digitais são aceitas por 37% das empresas respondentes; os boletos, por 53%; os depósitos bancários, por 60%; e as transferências bancárias, por 64%. O estudo também quis saber também quais canais essas empresas mais usam para vender online ou como ferramenta de marketing. A pesquisa também descobriu que o principal produto financeiro usado pelas empresas brasileiras é a linha de crédito especial para capital de giro (48%); em segundo lugar vem o cartão de crédito corporativo, com 38%; e, em terceiro, o empréstimo (34%). Grande parte (41%) dos respondentes costuma fazer pagamentos de contas pessoais com recursos da empresa – número que chega aos 51% no caso das empresas com faturamento mensal até R$ 3.245.

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Na hora de buscar crédito no mercado, a maioria dos entrevistados (63%) pede informações para o gerente do banco em que a empresa tem conta – e esse índice é bastante parecido independentemente do tamanho da empresa. Cerca de 43% buscam informação sobre o assunto nos sites de instituições financeiras; 29%, em lojas especializadas em crédito; 28%, no Google; outros 28%, com amigos ou conhecidos; e 19%, em blogs e sites especializados.

Na opinião dos entrevistados, os principais diferenciais na hora de escolher uma instituição financeira para pedir crédito são "rapidez na análise da proposta" (92%); "rapidez na liberação do crédito" (92%); e "flexibilidade na forma de pagamento" (92%). A "automação na avaliação de crédito" foi citada por 63% dos entrevistados.

Na hora de buscar uma linha de crédito, 57% dos respondentes informam que procuram bancos tradicionais com os quais já têm relacionamento; 38%, bancos tradicionais, independentemente de ter relação prévia; 30%, bancos digitais, independentemente de ter relação prévia; 20%, lojas de crédito que já usaram antes; 20%, lojas de crédito com as quais não teve relação prévia; 19% procuram fintechs; e 17%, pessoas de sua confiança. Entre os que conseguiram crédito, 65% usaram os serviços de bancos e instituições tradicionais com os quais já tinham relacionamento; 12%, bancos tradicionais, independentemente de ter relação prévia; 8% usaram serviços de bancos digitais; e 6%, de lojas de crédito que já haviam usado anteriormente.

Já segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em maio 66,5% das famílias brasileiras estão endividadas. Eram 66,6% com débitos em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro em abril, superar a autossabotagem financeira que tanto contribui para o endividamento, a falta de dinheiro da maioria dos brasileiros, que fizeram piorar a situação ainda mais nesta época de pandemia?

O investidor e mentor financeiro Weldes Campos diz que são várias as maneiras de autossabotagem: não valorizar os pequenos gastos, comprar por impulso, entrar no cheque especial e viver um estilo de vida acima da realidade. "Todas essas atitudes causam problemas e endividamentos que, muitas vezes, as pessoas acham impossível sair deles. E a maioria dos brasileiros sofre com isso por não fazer parte da nossa cultura a educação financeira nas escolas e nas famílias" afirma.

Ele defende uma mudança de hábitos ainda na infância: consumir consciente e planejar para realizar sonhos ao longo da vida, conquistar independência financeira e garantir uma boa aposentadoria. Para isso, Weldes Campos aconselha controlar as emoções. "Gastar e comprar por impulso são as formas mais comuns de autossabotagem. Mas existem outras mais importantes, como falta de objetivos de vida claros e crenças limitantes."

Traçar metas de curto, médio e longo prazo, segundo o mentor financeiro, auxilia no controle do orçamento. Entra também nessa soma positiva o abandono de crenças limitantes. "Pensar que quem possui dinheiro não tem boa índole, que ser milionário é para um grupo muito especial e considerar que dinheiro não proporciona felicidade. Todas essas crenças atrapalham a prosperidade financeira", diz.

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