2011 já era

A posição vacilante do governo dos Estados Unidos em relação ao fim da ditadura de Hosni Mubarak tem valido fortes críticas fortes da imprensa estadunidense ao presidente Barack Obama. No entanto, segundo o professor Willians Gonçalves, da Uerj, uma manchete em particular foi ainda mais longe: “Obama começa mal 2012!”, numa referência ao ano em que o presidente concorrerá à reeleição.

Culpados
A constatação de que as autoridades procuram culpar o cidadão pelos problemas que ocorrem nas cidades e nos estados, como esta coluna destacou no início do ano, tendo como exemplo a tragédia na Região Serrana do Rio, tem embasamento científico. No artigo “Desastres, ordem social e planejamento em defesa civil: o contexto brasileiro”, Norma Valencio, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres (Neped) do Departamento de Sociologia, da Universidade Federal de São Carlos, sugere que, se já não bastasse o sofrimento das vítimas, elas ainda são frequentemente responsabilizadas pelas autoridades por esses desastres.
“As interpretações da Defesa Civil invisibilizam a responsabilidade pública pelo ocorrido e imputam-na aos próprios afetados. Associado a isso, há a prescrição de recomendações paliativas para que essas pessoas se adequem à desigualdade territorial e à subcidadania”, afirma a autora, segundo a Agência Notisa.

Virem-se
Segundo o estudo de Norma Valencio, a cada ano, aumenta o número de famílias que sofrem ao saberem que o local em que moram não é seguro e que, a qualquer momento, episódios de deslizamentos, inundações, enchentes e ventos fortes podem abater seus frágeis imóveis e suas vidas.
Mas como seguir a recomendação da Defesa Civil para sair de locais inseguros se, segundo a pesquisadora, a situação atual nas cidades brasileiras é de restrição de acesso à terra – o que resulta em aumento dos desastres? “Se não ocorrer mudança no planejamento do Estado, com a adoção de novas estratégias explicitamente formuladas para quebrar o ponto de vista ideológico que submete grupos pobres, os desastres continuarão acontecendo”, adverte.

Imparcialidade
Nem mesmo a pergunta tendenciosa conseguiu que pesquisa da Câmara dos Deputados desse o resultado esperado pelos defensores da distribuição dos royalties do pré-sal por todos os estados brasileiros. A enquete, na página eletrônica da Câmara, deu empate técnico: 49% defenderam que estados e municípios produtores de petróleo recebam uma fatia maior; 51% defenderam distribuição geral.
Apesar de poucos votantes – 616 – chama a atenção as opções oferecidas pelo autor da pesquisa: à pergunta “Você concorda com o PL 8051/10, que assegura aos estados e aos municípios produtores de petróleo uma fatia maior dos royalties do pré-sal?”, as respostas possíveis eram “Sim, pois é justo que as áreas que serão mais degradadas tenham mais “retorno financeiro”” (grifo da coluna) ou “Não, pois o petróleo é um bem natural nacional, e o fator sorte, que incide sobre o local onde foi descoberto, não deveria ser levado em conta.”

Jornalistas&”jornalistas”
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou que a concessão de registro profissional para jornalista será uniformizada nacionalmente, para evitar procedimentos diferenciados que vinham sendo tomados nas Superintendências Regionais do Ministério (SRTEs). A informação foi dada pelo ministro em reunião com representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), no último dia 27. Para conciliar a decisão do Supremo Tribunal Federal que extinguiu a exigência do diploma para o exercício da profissão com a diferença entre profissão e registro, jornalistas diplomados serão registrados como “Jornalistas Profissionais”. Já os não diplomados serão registrados como “Jornalistas”.

Plínio segue na blogsfera
Depois de dar seu recado nas eleições para presidente, contribuindo ainda para a boa votação dos parlamentares eleitos por Rio e São Paulo, o ex-presidenciável do PSOL Plinío de Arruda Sampaio promete continuar no mundo virtual. Plínio, que chegou a ser um dos sucessos do twitter, promete, agora, fazer do seu blog – www.plinio50.com.br – “uma ferramenta de diálogo com toda a esquerda socialista brasileira, os lutadores sociais e aqueles que compreenderam que o PT acabou como instrumento de transformação social e adequou-se plenamente à ordem, e que é necessário superar essa experiência para avançar na unidade da esquerda socialista com este objetivo”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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