3 fatores que explicam as vantagens e o crescimento do mercado de celulares renovados

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Digitando em celulares smartphones (Foto: Pixhere/CC)
Digitando em celulares smartphones (foto: Pixhere, CC)

Os celulares renovados, que hoje norteiam o negócio de empresas de assinatura de aparelhos “como novos,” surgem como soluções promissoras no mercado. Por trás da oferta de smartphones top de linha restaurados às condições de fábrica, a logística circular mostra o seu poder, privilegiando o consumo consciente, a sustentabilidade e a democratização de acesso à tecnologia, transformando de vez o setor de telefonia.

De acordo com a Custom Market Insights (CMI), o mercado de telefones celulares renovados na América Latina estima atingir cerca de US$ 8,79 bilhões em 2030, com previsão de crescimento anual composto (CAGR) de 12,77%. Viabilizados pelo modelo “as a service,” aparelhos que passaram por um rigoroso processo de renovação ganham vida ao receberem novos componentes e saem a um valor mensal muito mais acessível. Além disso, incluem serviços agregados sem custo adicional, como proteção contra roubo, furto e quebra.

Ao comparar a assinatura de um smartphone com a compra de um aparelho em 12 parcelas em um grande varejista, o gasto anual pode ser até 50% menor. A partir de R$ 55 por mês, por exemplo, é possível ter acesso a um celular de ponta, com proteção completa e acessórios como carregador, capa e película protetora. Após 12 meses, algumas marcas ainda oferecem a possibilidade de devolver o aparelho e fazer o upgrade sem custo adicional, ou se a pessoa quiser ficar com o aparelho, é aplicado um desconto automático na mensalidade a cada ano e, após 30 meses, o dispositivo pode ser adquirido por R$ 1,00.

Veja mais três motivos que prometem impulsionar a demanda:

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Sustentabilidade na palma das mãos

A produção de dispositivos eletrônicos consome muitos recursos naturais, e o descarte incorreto desses equipamentos contribui significativamente para a poluição ambiental. Nesse contexto, os smartphones renovados oferecem uma alternativa sustentável, reduzindo a pegada de carbono associada à sua fabricação e a demanda por novos dispositivos. Assim, é possível estender seu ciclo de vida útil e evitar que toneladas de componentes eletrônicos acabem em aterros.

Para se ter uma ideia, o Brasil ocupa o quinto lugar entre os países que mais produzem lixo eletrônico, de acordo com o relatório Global E-Waste Monitor 2020 da Aliança Mundial para o Controle Estatístico de Resíduos Eletrônicos.


Acessibilidade e inclusão digital

A revolução digital trouxe inúmeras oportunidades, mas também destacou a desigualdade no acesso à tecnologia. O consumidor de classe média no Brasil precisa trabalhar 84 dias para comprar um smartphone premium, já nos Estados Unidos é possível alcançar esse feito em sete dias, de acordo com os dados da Newzoo.

Portanto, ao oferecer dispositivos recondicionados a preços mais acessíveis, a indústria está permitindo que um espectro mais amplo da população tenha acesso às vantagens da conectividade. Isso é especialmente significativo em regiões onde a tecnologia pode servir como um trampolim para a educação, o emprego e o desenvolvimento econômico. À medida que as empresas se concentram em tornar os celulares renovados mais acessíveis, alinha-se a evolução tecnológica com a inclusão social.


Processo de recondicionamento rentável

De acordo com a pesquisa “Recondicionamento e reciclagem de celulares como processo sustentável de logística reversa: um estudo de caso no Brasil,” publicada pelo Journal of Cleaner Production, conclui-se que, dos celulares recebidos do fabricante, estima-se que cerca de 15% são devolvidos ao mercado sem remanufatura. Além disso, 15% são aproveitados para os componentes salvos e 70% são recondicionados para retorno ao mercado. O processo de recondicionamento revelou-se rentável, uma vez que o fluxo de caixa anual se aproximou dos US$ 2,5 milhões e gerou um lucro de US$ 226 mil para a empresa de recondicionamento, evitando a eliminação de 4,5 toneladas/ano de resíduos de equipamentos eletrônicos.

Letícia Bufarah, head de marketing da Leapfone

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