Responsabilidade social acaba no departamento de RH

Códigos de ética têm belas palavras, mas ondas de demissão são a realidade.

Ao que parece, os decantados códigos de ética, sem auditoria e acompanhamento, servem apenas para ornamentar os balanços anuais e as apresentações, em mídias físicas e eletrônicas”, ironiza o consultor Luiz Affonso Romano. Para ele, a atual crise mostra que muitas empresas ditas responsáveis na verdade respeitam tanto a ética como as companhias no início da revolução industrial.

As ondas de demissões nas grandes empresas, com o enxugamento decorrente da queda do emprego formal e das crises da pandemia, econômica e política, são feitas sem qualquer preocupação com a apregoada atitude ética e responsabilidade social. Por que as empresas não tentam prepará-los para uma nova carreira ou readaptá-los a outras funções?”, questiona.

Para o consultor, os agentes diretos e indiretos da administração pública deveriam conceder, cumulativamente, redução de impostos, taxas, incentivos à exportação e preferência no fornecimento ao governo e os bancos oficiais empréstimos a juros privilegiados.

E conclui: “Os benefícios seriam dados às empresas que, diante da crise, aplicassem políticas mais humanas e estratégicas, proporcionando ambiente fecundo ao surgimento de talentos e comprometimento mútuo, ético. Afinal, cidadãos, governos, corporações, todos, estão na mesma viagem e no mesmo barco, cúmplices e companheiros do mesmo destino.”

 

Privatizar mata

Uma década de privatizações deixaram o Reino Unido mais vulnerável aos efeitos do coronavírus. Desde 2008-2009, o número de leitos hospitalares na Inglaterra foram reduzidos em 32 mil. O número é quase o mesmo que os 33 mil que o NHS (o SUS britânico) teve que reconfigurar para atender aos pacientes da Covid-19.

A matéria do jornal The Guardian apresenta outro número estarrecedor: quando o vírus começou a se espalhar pela Europa, o Reino Unido figurava na 24ª posição entre os países em número de leitos para cuidados intensivos, com 6,6 por 100 mil habitantes, enquanto a Alemanha, no topo da lista, dispunha de 29,2 por 100 mil.

A privatização deixou os britânicos com menor controle sobre os efeitos da pandemia, o que pode ser ilustrado na quantidade de testes. Ao setor privado coube fazer 75% dos testes, com a ambiciosa meta de 100 mil por dia ao final de abril. Objetivo não alcançado: ficou na casa de 80 mil. Pior: muitos testes, enviados pelos Correios, muitos perderam validade. A meta só foi atingida em 11 de maio.

Vale registrar que os cortes não começaram com o primeiro-ministro conservador David Cameron, mas com o trabalhista Gordon Brown. A ascensão de Boris Johnson não é tão inexplicável assim.

 

Déficit

Vamos combinar, esse grupo autodenominado 300 do Brasil deveria ser rebatizado para 30 de Bolsonaro; depois das prisões desta segunda, 24 + 6.

 

Os donos da voz

Muito interessante prender meia dúzia de baderneiros. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) está devendo uma ação firme contra quem financia a balbúrdia.

 

Cidade Maravilhosa na quarentena

O Portal Consultoria em Turismo Bayard Boiteux lançou no Facebook uma exposição de fotos do Rio de Janeiro de várias pessoas que foram clicadas durante a quarentena. Os registros foram feitos de varandas, janelas, jardins, e mostram um amor incontido pelo Rio.

Com curadoria de Viviane Fernandes e Gustavo Delesderrier, a mostra traz fotos de Vanda Klabin, dos cônsules do Peru, Hugo Fores, e da Argentina, Cláudio Gutierrez, de Maritza Orleans de Bragança, entre outros.

 

Desvio

Bolsonaro incentiva a invasão de hospitais para descobrir se há excesso nos gastos; o filho 03 diz que todo brasileiro deve fiscalizar o uso do dinheiro público. Isso inclui entrar e filmar a loja de chocolates?

 

Rápidas

Diante da pandemia, a Abrasco decidiu adiar o 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que ocorreria em novembro em Fortaleza *** Eduardo Gonzaga de Oliveira Natal, sócio do escritório Natal & Manssur, é um dos convidados para o debate virtual “Transação Tributária e Contribuinte Legal (Lei 13.988/20) – Demais soluções para o Passivo Tributário”, uma realização da Associação Brasileira de Advocacia Tributária (Abat). Será em 16 de julho, com transmissão aberta pelo Youtube, das 15h às 18h.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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