6×1: direita entre o Bolsa Patrão e a farsa

Direita defende desoneração para empresas, apelidada de Bolsa Patrão, ou fim da escala 6x1 com redução do salário

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Serviço de limpeza (foto de Cade Martin e Dawn Arlotta, Pixnio, CC0)
Serviço de limpeza (foto de Cade Martin e Dawn Arlotta, Pixnio, CC0)

Fazendo coro a empresários que vivem no século 19, a direita brasileira – bolsonaristas à frente – se divide sobre o fim da escala 6×1: uns defendem entre o Bolsa Patrão (como bem definiu o ministro Guilherme Boulos sobre o projeto do deputado Nikolas Ferreira, do PL-MG); outros defendem a farsa. Há os que militem em ambos os lados.

Na primeira turma, estão os que desejam que o governo – aquele que definem como ente perdulário que só quer saber de aumentar impostos – banque os gastos com a redução da escala 6×1 e da jornada, de 44 horas para 40 horas.

Entidades empresariais – aquelas que defendem o ESG, mas só conhecem o S de social como a portaria usada pelos que habitam o andar de cima – vendem o inferno quando falam na mudança e evitam tocar o tema produtividade. Números que contrastam com os dados – mais isentos – calculados pelo Ipea.

Para atender aos empresários, a direita propõe desonerar a folha de pagamentos. Nem é tão recente assim outro estudo do Diset/Ipea que comprova que, enquanto empresas privadas de outros setores expandiram em 6,3% seus empregos com carteira (+1,7 milhão), as desoneradas encolheram os seus em 13% (-960 mil).

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Mas há também os arautos da direita que defendem o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho com redução dos salários, o que pode ser classificado como farsa ou zombaria. Neste grupo, o deputado bolsonarista Paulo Bilynsky (PL-SP) defende o pagamento por hora de trabalho: que quem quiser ganhar mais, que trabalhe mais horas. E garante: sempre trabalhou muito.

Pode ser que sim, pode ser que não. Mas Bilynsky trabalha confortavelmente para o Estado: primeiro como delegado da Polícia Civil paulista, depois como deputado federal. No cargo para o qual foi eleito, recebe mensalmente R$ 46.366,19 + R$ 4.253 (auxílio-moradia). Total de R$ 50.619,19, o que daria pouco menos de R$ 300/hora numa jornada de 44 horas semanais.

Isso, fora uma cota de R$ 47.116,96 por mês (média 3 primeiros meses de 2026) de cota parlamentar e R$ 145.950,21 (média 2026) de verba de gabinete, onde abriga 21 pessoas ativas.

Enquanto isso, o salário mínimo horário em 2026 está em R$ 7,37. Ou seja, o trabalhador precisaria ralar 40 horas para receber o que um deputado ganha em apenas 1 hora. Olhando de outra forma, necessitaria trabalhar 6.868 horas para receber os pouco mais de R$ 50 mil. Seriam 286 dias trabalhando 24 horas por dia. Mas o trabalho dignifica.

Rápidas

O Iargs promoverá nesta terça-feira, 12h, palestra do psiquiatra, psicanalista, professor e escritor Marco Aurélio Albuquerque com o tema “Direito de Família: o viver criativo em uma era de excessos”. A coordenação é da advogada Liane Bestetti, diretora do Departamento de Direito de Família do Instituto *** A Revista Justiça & Cidadania promove, com o apoio do Fonajus e da Enfam, em 7 de maio, a 12ª edição da Caravana Nacional da Cooperação Judiciária, com início às 9h, na sede da Escola Paulista da Magistratura (EPM), com a participação, entre outras autoridades, do ministro do STF Luiz Fux. Inscrições aqui *** O Rio de Janeiro receberá, nesta quarta, a 2ª edição do Diversidade Criativa em Diálogo. Gratuito e aberto ao público, será no Crab Sebrae, no Centro da capital. Inscrições aqui *** O IAB realizará, nesta terça-feira o seminário “Direito da Empresa e Arbitragem na reforma do Código Civil” (às 10h) e debate sobre “Reforma do Código Civil no Direito do Consumidor” (às 14h), ambos com transmissão ao vivo pelo canal TVIAB no YouTube.

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