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domingo, janeiro 17, 2021

Cintra, o bode expiatório

Marcos Cintra foi, desde sempre, defensor do imposto único, cobrado sobre transações financeiras. Defendeu a bandeira em suas campanhas eleitorais – foi eleito deputado federal em 1998. Pelas contas do economista, a alíquota do imposto teria que ir a 2,81% para substituir taxações que representam 27% do PIB.

O “imposto sobre pagamentos”, divulgado por Paulo Guedes, bebe na proposta de Cintra, mas nada teria de único. Seria um valor alto retirado de todo brasileiro para fechar o buraco das contas do governo, algo em que o ministro não demonstrou sucesso até agora.

Seria a recriação da CPMF, inicialmente IPMF (o “p” de provisória), adotada para controlar transações bancárias e jogar luz sobre um dinheiro que vive nas sombras, da corrupção à sonegação. A alíquota foi crescendo à medida que as despesas financeiras provocavam um rombo nas contas públicas.

Rejeitado por forças com grande poder na mídia – a população mal tomou conhecimento da proposta – o imposto de Guedes virou ideia de Cintra, e com isso o secretário da Receita foi rifado. A forma como tudo ocorreu não engrandece o currículo de Paulo Guedes, que dera entrevista defendendo a taxação.

Há mais críticas do que elogios ao imposto sobre transações financeiras: prejudica cadeias longas de produção, como normalmente ocorre nas indústrias (mas, é bom lembrar, o fim da CPMF não baixou nem em um centavo os preços industriais); é regressivo, pois afeta a todos igualmente; não há experiências internacionais significativas com imposto único.

Do lado positivo, a simplicidade na arrecadação e o alcance, pois quem hoje está na economia informal acabaria, em maior ou menor grau, tributado. O maior benefício seria o controle de movimentações ilegais e redução da sonegação. Talvez estes sejam os motivos reais da queda de Cintra.

 

FGTS de volta

Nesta sexta feira, o Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) lançará a cartilha Cadê o dinheiro que sumiu do meu Fundo de Garantia?, primeira de uma série para orientar o trabalhador a evitar perdas e recuperar o dinheiro não depositado pelas empresas.

Mario Avelino, presidente do IFGT, explica que, de acordo com números da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, atualmente existe um débito de R$ 32 bilhões de FGTS não depositado por aproximadamente 225 mil empresas. As cartilhas são gratuitas e poderão ser baixadas em fundodegarantia.com.br

 

Anunciantes lesados

A israelense Clickcease desembarca no Brasil com um produto que identifica e bloqueia tráfego inautêntico de anúncios no Google Ads e Bing. De acordo com a empresa, até 20% dos cliques em anúncios de texto na internet são falsos, por terem sido feitos por robôs, usuários que não têm interesse real por aquele conteúdo e concorrentes da empresa anunciante. As fraudes lesaram os anunciantes em US$ 35 bilhões em 2018. A expectativa da empresa é chegar ao fim do ano com mais de mil clientes.

 

Exemplo federal

O procurador de Minas que reclamou do “miserê” de R$ 24 mil (líquidos) e pediu que se desse um jeito para “incrementar” o salário não fez nada inédito. O ex-juiz federal, hoje governador do RJ, Wilson Witzel deu aula em vídeo sobre como inflar os vencimentos com gratificações.

 

Rápidas

O Grupo Coty seleciona 17 jovens para estágio em eureca.me/#!/op/coty-beautygeneration-19.1 *** O mais importante fórum de discussão sobre formação e exercício profissional em engenharia no Brasil, o XLVII Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE) ocorrerá semana que vem em Fortaleza. No dia 18, a educadora Andrea Ramal fará palestra, às 10h45, na sessão “Inovação na Educação em Engenharia e na Educação Continuada” *** O Passeio Shopping apresenta sábado, às 14h, a peça infantil A Princesa Valente *** A Goodyear informa que Talita Scardoelli assumiu a direção de Gestão de Talentos e Desenvolvimento Organizacional Américas (Norte, Central e Sul) *** A garotada que passar pelo Carioca Shopping entre 13 e 29 de setembro poderá desfrutar atrações do Mundo Gloob *** Domingo tem feira de produtos cultivados sem agrotóxicos no Caxias Shopping, das 12h às 18h *** A Escola de Guerra Naval (EGN), no Rio de Janeiro, está com processo seletivo para ingresso no Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos (PPGEM), em nível de doutorado e mestrado profissional (stricto sensu), para civis e militares. Inscrições até 27 de setembro em ppgem.egn.mar.mil.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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