A urgência de uma consciência coletiva ambiental

Como iremos superar os impactos que estão sendo causados pelo homem por meio de uma utilização predatória da natureza?

Ontem, dia 5 de junho, celebrou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente em meio a uma pandemia provocada por um vírus – Covid-19 – que coloca em cheque, em princípio, a saúde e a própria vida de todos os habitantes do planeta. Estamos em momento de mudanças, mas enquanto umas podem ser evitadas pelos seres humanos, outras não. Tudo indica que em breve iremos superar a maior crise sanitária que nos atingiu, não sem luta e sofrimento, mas a questão que se coloca à reflexão nessa semana do meio ambiente é como iremos superar os impactos que estão sendo causados pelo homem por meio de uma utilização predatória da natureza?

Em se tratando de meio ambiente, a ciência reconhece que as principais conquistas civilizatórias provocam alterações na biosfera e alteram ecossistemas vitais. As alterações ambientais que ocorrem nos últimos tempos têm origem predominantemente humana, e a reversão do quadro atual de destruição ambiental é crucial para que a vida humana possa perpetuar. Algumas medidas reparatórias rumo a um futuro com qualidade de vida estão pautadas no livre arbítrio, e essencialmente na aceitação de novos valores éticos que possam permitir reparar os danos causados e evitar outros tantos, permitindo um novo tratamento ao meio ambiente e rompendo a lógica de exploração antropocêntrica enquanto ainda há tempo.

No passado, essa lógica foi rompida com a atuação de naturalistas como Rachel Carson, bióloga norte-americana, nascida na Pensilvânia, que terminou um de seus livros Primavera Silenciosa enfrentando terríveis problemas pessoais e ataques críticos. Rachel mudou o curso da história após comprovar a letalidade de inseticidas modernos à base de DDT utilizados na pulverização das plantações, que contaminavam os rios, matavam animais e, absorvido pelos pulmões e fígado dos seres humanos, causavam-lhes efeitos crônicos podendo causar a morte. Dez anos após a divulgação desse trabalho em 1962 e comprovados os efeitos cancerígenos do inseticida DDT, o uso deste foi banido dos Estados Unidos.

Há muito, naturalistas e pessoas ligadas ao meio ambiente compreenderam que a dominação da natureza pelo homem e a crença de que a mesma tem recursos infinitos leva ao quadro calamitoso atual de aquecimento global, de comprometimento dos ecossistemas que englobam diversas espécies de seres. Inúmeras vozes se levantam em defesa do meio ambiente anunciando que, se nada for feito, a natureza continuará a definhar lentamente.

Esse é um exemplo que deveria se multiplicar gerando a compreensão dos efeitos devastadores de aproximadamente 8 bilhões de pessoas no mundo convivendo com o esgotamento dos recursos naturais. No Brasil, é lamentável os impactos do desenvolvimento econômico sem compromisso ambiental. É notória a apropriação e o cultivo da terra, do solo e do subsolo, com a devastação de enormes campos de florestas tropicais ameaçando a oferta de água, a fauna e a flora e provocando a poluição dos rios e mares.

Muitos elementos da flora e fauna estão aqui sendo destruídos em nome do “crescimento econômico” antes mesmo que os brasileiros tenham oportunidade de conhecer a aplicação destes elementos para curas específicas de novas doenças, muitas destas originadas pelo avanço tecnológico poluente.

Mas se a dama de Maryland acabou por provocar, além das fronteiras norte-americanas, uma consciência pública acerca da importância da preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações, no Brasil a mensagem não foi totalmente compreendida. Todavia, muitas vozes também aqui ecoam no mesmo sentido. De fato, cabe a cada um, individual ou coletivamente, acreditar em terras agricultáveis sem uso de pesticidas ou agentes químicos que ofereçam risco à saúde, no equilíbrio na apropriação individual de terras em região de matas e florestas, na preservação dos ecossistemas naturais com a criação de áreas protegidas, na proteção dos povos das florestas e de seus conhecimentos tradicionais, na recomposição da qualidade das águas permitindo a continuidade do ciclo da vida marinha bem como na recuperação de áreas de florestas já degradadas.

Sobretudo, é necessário acreditar que cada um é parte da natureza, e somente com a preservação do meio ambiente natural, por meio do desenvolvimento sustentável, será possível a manutenção e a qualidade da vida humana.

Ana Rita Albuquerque
Doutora em direito civil pela UERJ.

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