A base invisível da segurança alimentar

Saiba como a falta de água tratada contribui para a insegurança alimentar e os desafios enfrentados por comunidades vulneráveis Por Fernando Silva

1338
Segurança alimentar (foto de Elaine Casap na Unsplash)

Quando falamos em segurança alimentar, quase sempre pensamos na produção agrícola, no preço dos alimentos ou nas políticas públicas de combate à fome. Mas há um fator tão essencial quanto, e que muitas vezes é esquecido: a água tratada. Sem água potável, não há alimento seguro. É ela que irriga plantações, lava os alimentos, viabiliza o preparo das refeições e, acima de tudo, garante saúde a quem consome esses alimentos.

A insegurança hídrica e a insegurança alimentar caminham lado a lado. Em comunidades sem acesso à água tratada, famílias gastam horas diárias na busca por água potável. Em muitos casos, jovens e adolescentes abandonam os estudos para cumprir essa tarefa, perpetuando ciclos de vulnerabilidade. A ausência desse recurso básico também aumenta o risco de doenças. Entre a população da Amazônia Legal, por exemplo, segundo a Ex Ante, a média de afastamentos por doenças gastrointestinais é de 4,8 dias por episódio, acima da média nacional (4,6). Somados, são mais de 20 milhões de dias de atividades interrompidas por ano, com impactos diretos sobre a renda e a estabilidade das famílias.

Esse cenário aprofunda desigualdades e agrava a fome. Entender essa interdependência é decisivo para criar políticas públicas eficazes e ampliar o investimento em soluções que levem água tratada até as comunidades mais remotas.

O Brasil abriga 12% de toda a água doce superficial do planeta, um patrimônio natural que ainda não se traduz em acesso universal à água tratada. Transformar essa abundância em segurança hídrica e alimentar é um dos grandes desafios do país. Garantir água de qualidade é fundamental para reduzir desigualdades e fortalecer compromissos alinhados à Agenda 2030 da ONU, especialmente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que tratam de fome zero, agricultura sustentável, saneamento básico, saneamento rural, saúde e equidade social. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), embora a taxa de subnutrição tenha caído de 5,7% para menos de 2,5% nas últimas duas décadas, a insegurança alimentar grave ainda atinge 6,9 milhões de brasileiros, o correspondente à quase toda a população da cidade do Rio de Janeiro.

Espaço Publicitáriocnseg

Felizmente, a tecnologia tem se mostrado uma aliada poderosa nesse enfrentamento. Hoje já existem equipamentos modulares e portáteis capazes de tratar a água localmente, permitindo que as próprias comunidades façam a gestão de seus sistemas, com baixo custo e fácil manutenção. Ao eliminar a dependência de água engarrafada ou caminhões-pipa, essas soluções promovem autonomia, dignidade e sustentabilidade.

Além dos benefícios sociais, há ganhos ambientais expressivos. Um único equipamento capaz de tratar 5 mil litros de água por dia evita o uso de 10 mil garrafas PET de 500 ml, que levariam até 400 anos para se decompor, segundo estudo da Fapesp. Reduzir o uso de embalagens plásticas e a necessidade de transporte de água também significa menor emissão de CO₂, resultando num impacto positivo direto sobre o clima.

Diante de dados tão claros, fica evidente que garantir água potável é a base da segurança alimentar. Sem ela, não há alimento seguro, saúde ou desenvolvimento econômico sustentável. Colocar a água no centro da pauta é essencial para promover justiça social e resiliência climática. Aqui na PWTech, seguimos comprometidos em transformar tecnologia em impacto real, democratizando o acesso à água potável, fortalecendo comunidades e abrindo caminho para um futuro mais saudável, inclusivo e sustentável.


Fernando Silva é CEO da PWTech, executivo na área comercial com formação em Engenharia Química e mais de 20 anos de experiência na definição de estratégias comerciais para diversos setores da indústria.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg