A beleza estonteante de Vera Fischer, aos 70 anos

Por Paulo Alonso.

Uma das mais famosas atrizes da história da televisão brasileira e um dos ícones de beleza da dramaturgia, Vera Fischer completou 70 anos no último sábado, 27, em plena forma, divulgando, pelas redes sociais, fotos nas quais exibe sua invejável forma física e mensagens otimistas: “Me sinto um mulherão! O que eu leio e o que eu ouço das pessoas é que agora estou melhor”. Uma dessas selfies chamou ainda mais atenção, pois a atriz aparecia de cabelo preso, com seus sedutores olhos azuis e blusa de renda amarrada, deixando a barriga chapada à mostra. Pura sedução!

De ascendência alemã, Vera começou sua vida profissional como modelo, sendo vencedora do concurso Miss Brasil de 1969, quando, ao arrebatar o primeiro lugar, levou para a passarela elegância, majestade e simpatia. Três anos depois, iniciaria sua carreira artística no cinema, interpretando Ângela, em Sinal Vermelho – As fêmeas. Todavia, seu destaque mesmo foi no filme Intimidade, dando vida para Tânia Velasco, momento em que foi eleita Melhor Atriz e recebeu o Troféu APCA.

Na televisão, fez sua estreia, em 1977, em Espelho Mágico, mas foi vivendo Luiza, em Brilhante, que obteve reconhecimento da crítica, garantindo-lhe o cobiçado prêmio de Melhor Atriz e recebendo o Troféu Imprensa.

Na televisão, Vera Fischer realizou numerosos papéis em telenovelas, minisséries e programas. Na ocasião em que interpretava Jocasta, em Mandala, de Dias Gomes, tive a oportunidade de entrevistá-la no set de filmagem, quando conheci uma mulher verdadeiramente linda, sensual, culta, fala solta, alegre, de bem com a vida e generosa. Sua beleza e encanto fizeram com que a entrevista se alongasse talvez mais do que devesse, pois, a partir de uma conversa que acabou sendo informal, vários foram os assuntos trazidos para a produção do seu perfil, com ênfase claro no trabalho que fazia, com extraordinária desenvoltura.

Exibida entre 1987 a 1988, Vera interpretava a estudante de Sociologia Jocasta, filha do militante comunista Túlio Silveira, vivido por Gianfresco Guarnieri, e participava ativamente do momento político do país, abalado pela renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Jocasta era apaixonada por Laio (interpretado por Perry Salles que fora seu marido na vida real) o seu oposto, rapaz alienado e esotérico que vivia da mesada do pai rico. Jocasta se apaixonava pelo jovem Édipo, encarnado por Felipe Camargo (que viria a ser seu marido), sem suspeitar que ele era, na realidade, o seu filho perdido. A trama da novela, cuja história central era uma livre adaptação da peça de teatro Édipo Rei, tragédia grega de Sófocles, alcançou índices de audiências expressivos.

Ela também esteve, na telinha, em Sinal de Alerta, Os Gigantes, Coração Alado, Riacho Doce, Desejo, Perigosas Peruas, Agosto, Pátria Minha, O Rei do gado, Pecado Capital, Agora é que são elas, Senhora do Destino, Amazônia, Duas Caras, Caminho das Índias, Insensato Coração, Salve Jorge e Espelho da Vida, em 2018, dentre outros trabalhos nos quais exibiu sua arte de interpretar com leveza, na construção de cada um dos personagens que vem encarnando.

No cinema, destacou-se ao viver a prostituta Anna, personagem do filme Amor, estranho amor, que lhe garantiu o Prêmio Air France, de melhor atriz, e no Festival de Brasília. Também foi homenageada com o Prêmio Sesc; no Festival de Vitória; e com o Prêmio The Winner Awards.

Na telona, Vera esteve em muitas produções, dentre elas, em A super-fêmea, Anjo loiro, As delícias da vida, Essa gostosa brincadeira a dois, Macho e fêmea, Perdoa-me por me traíres, grande sucesso de crítica e de bilheteria, Bonitinha, mas ordinária ou Otto Lara Resende, Eu te amo, Dora Doralina, Amor voraz, Quilombo, Doida demais, O Quinto Macaco, Fala Baixo, Senão Eu Grito, Navalha na carne, Xuxa e os Duendes 2: no caminho das fadas e Quase Alguém, seu último filme, em 2019.

Se na televisão e no cinema o talento de Vera sempre foi comprovado e elogiado, no teatro, da mesma forma, suas interpretações sempre mereceram atenção dos fãs e dos críticos. E assim, esteve nos palcos em grandes montagens, como Negócios de Estado, Macbeth, Desejo, Gata em teto de zinco quente, A primeira noite de um homem e Porcelana Fina. Em 2015, atuou na peça Relações Aparentes, do britânico Alan Ayckbourn.

Vera foi casada com o diretor Perry Salles por 15 anos e com ele teve Rafaela. Em 1988, casou-se com o ator Felipe Camargo. Desse relacionamento, nasceu Gabriel. Ficaram juntos até 1995. Posteriormente, namorou os atores Floriano Peixoto e Murilo Rosa e o humorista Paulinho Serra. Em recente entrevista ao programa Altas Horas, de Serginho Groisman, a atriz afirmou que se apaixonou apenas duas vezes na vida: uma por Perry Salles e outra por Felipe Camargo.

Vera nasceu em uma família de origem alemã de classe média, em Blumenau, em Santa Catarina. A mãe, Hildegard Berndt, era brasileira, neta de alemães, e o pai, Emil Fischer, era alemão nato.

Chegar aos 70 anos com tanta energia, com essa beleza estonteante, alegria de viver, pronta para enfrentar os desafios pessoais que a vida apresenta e disposta a encarnar personagens dos mais variados, não é para qualquer pessoa, mas Vera Fischer é ousada, disposta e múltipla. Uma diva da dramaturgia brasileira.

Aplausos.

 

Paulo Alonso, jornalista, é reitor da Universidade Santa Úrsula.

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