A comprovação da sustentabilidade no agro vem do espaço

Sustentabilidade no agro: tecnologia espacial redefine práticas, abre portas no mercado. Por Niels Wielaard

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Maquinário agrícola, agronegócio
Maquinário agrícola (foto divulgação)

Cada vez mais, não adianta produzir em boa qualidade e em volume que atenda à demanda, é necessário adotar técnicas e comportamentos que sigam as premissas de ESG. Esse tipo de afirmação já deixou de ser uma retórica ativista e passou para a atenção de investidores, governos e consumidores nos principais mercados do mundo.

Quando o segmento de atuação está diretamente ligado ao meio ambiente, a preocupação com o “E” do ESG torna-se ainda mais urgente. A agropecuária é um desses segmentos e tem sido colocada na mira de ativistas, autoridades, consumidores e auditores devido às históricas práticas que geram degradação ambiental.

O Brasil conta com excelentes exemplos de agricultura sustentável, apesar de uma reputação impactada quando pensamos em desmatamento e queimadas. Enquanto tivermos essa imagem, os produtores nacionais continuarão enfrentando dificuldades de exportar frente às novas legislações, como a Regulação de Desmatamento da União Europeia (EU Deforestation Regulation).

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Estamos falando simplesmente de um dos maiores mercados consumidores do mundo se fechando aos produtos agropecuários, o item que deve representar quase 25% do PIB brasileiro neste ano (Cepea USP/CNA) e quase metade das exportações (Ipea).

O chamado green washing cedeu lugar para a comprovação. Não basta ter um discurso bem-organizado e produzir seu Relatório de Sustentabilidade anual. É preciso ter dados, atestados preferencialmente por terceiros ou utilizando tecnologias e metodologias inquestionáveis.

Como em todas as demais áreas das empresas, mensurar e comprovar impactos tornou-se essencial para abrir portas de importantes mercados aos produtos agrícolas. Ou, ainda, evitar que as atuais portas se fechem e coloquem em risco a perenidade do negócio.

A soja, por exemplo, uma das commodities agrícolas mais importantes para a balança comercial brasileira, tem fama de se ocupar de áreas de desmatamento ou utilizar técnicas de queimadas para preparo da área. Por mais que se afirme que esse modelo até pode acontecer, mas é uma exceção, a fama já está consolidada e só pode ser descontruída por provas irrefutáveis.

Aí entra a tecnologia.

O monitoramento via satélite com inteligência artificial suficiente para identificar queimadas, áreas desmatadas e outros fatores de impacto à sustentabilidade, tornou-se ferramenta aliada aos produtores agrícolas e grandes empresas da cadeia do agronegócio.

Quem vai conseguir questionar a imagem do satélite?

Passa a valer a máxima “quem não deve, não teme”, pois a ferramenta comprova o comportamento sustentável desde a sua origem. Traz valor ao produto. Essa valoração é especialmente importante para as commodities, pois tradicionalmente encontram dificuldade em conseguir preços melhores por falta de diferenciais.

Temos certeza de que o Brasil está pronto e no momento certo de adotar tais tecnologias e colocar sua retidão à prova. Digo isso com base em nossa experiência internacional e a observação do mercado agro em profundidade. O produtor rural brasileiro tem, por regra, as boas práticas e estamos aqui para comprovar sua postura e mantê-lo competitivo no mercado internacional.

Niels Wielaard é fundador e CEO da Satelligence.

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