A consciência dos universitários

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Uma das questões que mais têm provocado debates, inclusive por intermédio da mídia, é relativa a um eventual processo de alienação da juventude, em razão de sua imersão na realidade virtual do universo on line. Nos jornais, revistas, rádios e televisões, especialistas anunciam o apocalíptico isolamento social e solidão daqueles que trocaram o mundo físico pela Internet.
Sem menosprezar o problema, que de fato deve estar ocorrendo em alguns casos, não se pode generalizar esse diagnóstico, pois a juventude mostra estar consciente sobre a realidade desta era da informação e da globalização. Para não correr o risco de avaliar essa questão comportamental na base do “achômetro”, é importante recorrer a dados concretos.
Exemplo para avaliar a questão com base mensurável é uma pesquisa que acaba de ser realizada pelo Senai-SP. Num universo de 300 estudantes que cursam o último ano de 16 universidades da Capital e Grande São Paulo, 97,7% querem que a instituição ofereça pós-graduação em mecatrônica, gráfica, meio ambiente e vestuário, em que já mantém cursos de nível superior. No âmbito dessas quatro áreas, os jovens demonstraram interesse em especializações em Marketing e Administração.
Cruzando essa informação com outros dados concretos – como o aumento da procura, entre os universitários e bacharéis, pela educação continuada, cursos de extensão e especialização e de livros técnicos., profissionais, informática e auto-ajuda -, pode-se concluir que a juventude contemporânea nada tem de alienada. Ao contrário, demonstra estar muito consciente sobe as dificuldades que enfrentará para desenvolver uma carreira e vencer no universo profissional do novo milênio. Outro dado importante mostra que os jovens têm total clareza quanto à necessidade de conquistar cultura, formação e informação: este ano, houve um recorde de candidatos nos vestibulares, desde que esse processo seletivo foi implantado no País. Foram cerca de 3,5 milhões de vestibulandos, dos quais 820 mil foram aprovados.
É, por outro lado, lamentável constatar, por meio de uma simples conta de subtração, que 2,68 milhões de candidatos não obtiveram vagas. Isso leva à uma reflexão crucial: mais do que buscar explicações para os efeitos da realidade virtual no comportamento dos jovens, sociedade e governo têm a responsabilidade concreta e intransferível de garantir à juventude o direito à educação, para que ela possa, de fato, enfrentar o maior de todos os fatores de alienação – a ignorância – e vencer os desafios que a espreitam na nova era.

Max Schrappe
Presidente do Conselho Regional do Senai-SP e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) e vice-presidente

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