Aconteceram três crises nos últimos três anos: uma econômica, em 2008; uma financeira, em 2009; uma das dívidas soberanas (sovereign debts) em 2010.
Esta última se desencadeou no giro de três dias, há cerca de um mês atrás, e impôs uma resposta imediata por parte dos países da Eurozona. Como tudo na economia, na finança e na macroeconomia, as três crises estão coligadas entre elas, por uma intricada rede de causas e efeitos.
A crise econômica de 2008 foi marcada pela queda do preço do petróleo, provocada pelo desabamento da demanda de bens e serviços; ou, vice-versa, foi este desabamento que provocou a queda do preço do petróleo.
A crise financeira de 2009 foi caracterizada pelo fracasso dos investimentos sobre produtos financeiros “derivados”, baseados sobre créditos imobiliários, trucados, norte-americanos: uma verdadeira rapina da Wall Street e dos bancos de negócios dos Estados Unidos, em relação ao resto do mundo: os bancos vendiam papel sem valor em troca de dinheiro verdadeiro.
A crise dos sovereign debts, vale dizer, da dívida soberana de cada país, teve como estopim a quase bancarrota da Grécia e, de alguma maneira, é a complicada consequência das primeiras duas crises.
Sobre esta última crise, devemos acrescentar algumas palavras a mais. Todos sabiam, há muitos anos, que a dívida soberana de muitos países (com algumas exceções) era insustentável, vale dizer que a dívida soberana (divida garantida pelo Estado) de quase todos os países era, e é, uma dívida com risco de insolvência.
Um fato que todo mundo conhece e que todos aceitam não tem nenhuma consequência operativa até o momento em que alguém (os especuladores) decidir agir, isto é, começa a vender os títulos da dívida soberana dos países que acha estar em risco iminente: a Grécia, há dois meses atrás, e hoje, talvez, a Hungria.
Esta “coisa” acontece, com certeza, num momento absolutamente imprevisível e se desenvolve em poucas horas. A possível bancarrota da Grécia colocou em risco o euro e obrigou o Banco Centra Europeu e os países da Eurozona a uma rápida intervenção para tutelar a moeda comum, com urgência e rapidez de decisões.
Esta foi a motivação da manobra que está sendo examinada pelos parlamentos da Eurozona. Uma motivação que explodiu em poucas horas.
Edoardo Pacelli
PhD em Ciências, diretor da revista Italiamiga.















