A CVM olha; a B3 autorregula o mercado; e a nova bolsa, também?

Todos assumem papel que deveria ser da Comissão de Valores Mobiliários.

Acredite se Puder / 18:10 - 6 de jan de 2020

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A Comissão de Valores Mobiliários, talvez por pura preguiça, repassou para a antiga Bovespa, agora B3, a tarefa de autorregular o mercado. Como não poderia deixar de ser, os poderosos da bolsa brasileira que formam o conselho de administração da entidade criaram, e a CVM chancelou sem se aprofundar na apuração, e uma série de coisas absurdas foram impostas aos investidores. Essas distorções têm de ser corrigidas com urgência, pois uma nova bolsa está sendo estruturada, e será que o mercado brasileiro comporta a figura de mais um autorregulador irregular?

O ideal é a existência apenas do regulador governamental que, pela legislação, foi criado com essa finalidade. A Câmara não aprovou nenhuma lei estendendo tais funções para a Bovespa.O descalabro é tanto, que a bolsa conseguiu até acabar com o que estava certo. Até 2014, os investidores sabiam qual era o salário máximo, médio e mínimo de um conselheiro e dos membros da diretoria. Agora, sabemos que o conselho da B3 recebe de 73% não se sabe de quê, enquanto a diretoria executiva percebe apenas 25% da mesma coisa. Não seria importante sabermos quanto ganha Pedro Parente para presidir o Conselho de Administração da bolsa? Deve ser uma nota preta, pois são seus conselheiros que decidem o quanto vão receber.

Essa brecha permitiu que muitas das grandes empresas brasileiras remunerem os executivos com salários e com contratos que preveem bônus, remuneração em ações e outros tipos de incentivo. Levantamento da Consultoria Page Executive, em junho de 2017, mostrou que as empresas brasileiras pagam salários mensais acima dos R$ 250 mil para altos cargos.

 

Seguir o exemplo dos EUA

Após a crise de 2008, para evitar novas fraudes, a Securities and Exchange Commission iniciou o processo de regular mais o mercado, aumentando a transparência para proteger sde 1929, os Estados Unidos começaram uma tentativa de regular mais o mercado. A ideia era evitar novas fraudes aumentando a transparência para a proteção dos investidores, pois ninguém gostou das cifras milionárias pagas em forma de bônus a executivos de instituições financeiras que haviam solicitado ajuda governamental. Em 2015, a Securities and Exchange Commission passou a exigir que empresas divulgassem a relação entre os salários de seus CEOs e o valor recebido por um trabalhador médio da companhia, medida que somente começou a valer a partir de 2018.

O engraçado é que uma firma de consultoria realizou uma amostra entre 356 empresas consultadas e chegou à relação mediana de 140 para 1, o que significa que para cada US$ 1 dólar recebido pelo trabalhador médio, o CEO da empresa recebe US$ 140. O levantamento também encontrou uma correlação entre o salário do executivo e o tamanho da empresa. Em companhias que faturam menos de US$ 1 bilhão, a proporção é de 47 para 1. Em empresas com receitas acima de US$ 15 bilhões, a relação aumenta para 263 para 1. Ah: quanto mais empregados a companhia tiver, mais o CEO recebe em relação a eles.

As empresas de varejo são as que apresentaram maior diferença entre o salário do trabalhador e do executivo: 669 para 1. O levantamento mostra ainda que, mesmo descontada a inflação, a remuneração dos executivos cresceu 997% no período entre 1970 e 2015. Enquanto isso, a remuneração do trabalhador médio aumentou 10%.

Caramba, isso foi nos Estados Unidos. Quanto foi no Brasil?

 

Bradesco aconselha compra de Usiminas

Os analistas do Bradesco BBI elevou a recomendação para as ações da Usiminas de neutra para compra, com um preço-alvo de R$ 13,00 para o papel, por considerar que o setor brasileiro de aços longos e planos deve crescer 8% e 4%, respectivamente, em 2020. No relatório consta que apesar do upgrade para compra, a recuperação potencial do Ebitda ainda não está totalmente precificada. Os técnicos da instituição projetam que neste ano haverá aumento da demanda doméstica, recuperando os preços da siderurgia brasileira.

 

Cerberus derruba ações da Avon

Após confirmar a consumação da operação com a Avon, a Natura elevou as estimativas de sinergias de US$ 150 milhões e US$ 250 milhões para US$ 200 milhões a US$ 300 milhões. Por causa disso, na primeira parte do pregão desta segunda-feira, suas ações chegaram a subir 4%. Na parte da tarde a cotação sofreu redução de mais de 3% , por causa da decisão do fundo Cerberus de vender 52,2 milhões de ações, sendo que já foi realizada uma venda em bloco de 6 milhões a R$ 39,50.

 

Finlandeses jovens são preguiçosos

A primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, de apenas 34 anos, quer a semana de trabalho de quatro dias, com jornada de 6 horas diárias, para que os trabalhadores passem mais tempo com as famílias. Sanna terá de evitar a contratação de robôs, que não precisam descansar.

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