A Azul Linhas Aéreas há algum tempo já vem ampliando seus vôos no mercado doméstico, investindo principalmente nas rotas regionais e procurando alternativas para maximizar os seus resultados. Está fazendo isso sem uma disputa agressiva com a TAM, que buscou a fusão com a LAN Chilena, e a Gol, que, através da venda de uma pequena parte de suas ações à Delta Airlines, tenta expandir-se internacionalmente.
Ante a elevada competitividade do setor e já efetuando vários pedidos de aviões de pequeno porte à Embraer, a Azul, em um avanço estratégico, estabeleceu uma fusão com a Trip. Com isso, participa agora com cerca de 14% do mercado aéreo e se transformando na terceira empresa nacional, atrás apenas da TAM e Gol, deixando a quarta posição para a Avianca.
A preocupação do setor é com relação à minimização da concorrência em virtude da eliminação de players no mercado, mas, em outro ponto, a fusão pode garantir melhor atendimento nos vôos regionais não tão lucrativos e que já não despertavam interesse dos dois principais concorrentes, que buscam vôos em pontes aéreas e também internacionais.
A recente privatização dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos poderá modificar também o perfil aéreo por regiões que demandam vôos e que hoje são pouco atendidas. Em alguns casos, as conexões acabam gerando uma demanda de tempo que faz com que o usuário possa pagar ainda um preço alto, quando poderia ter vôos diretos. Isso poderá passar a ocorrer com a nova fusão da Azul e a Trip.
O mercado aéreo ainda está muito turbulento, principalmente com aumentos dos custos de combustíveis, mão-de-obra, manutenção. Agora, com a privatização de aeroportos, os custos poderão aumentar, e o repasse às passagens poderá ser efetuado, mesmo buscando-se a redução de preços com estratégia mais coerentes com a necessidade do público em voar.
A nova empresa formada pela fusão tem a missão de reduzir drasticamente os seus custos operacionais para manutenção dos preços e melhoria dos serviços no atendimento aos consumidores e ampliações dos vôos regionais. Para as empresas menores, essas rotas podem representar uma lucratividade maior do que as de longo alcance.
Reginaldo Gonçalves
Coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (Fasm).















