A ditadura no Triângulo das Bermudas

Censura não conseguiu esconder o grande escândalo da época militar.

A quantidade de militares no Governo Bolsonaro e as fake news sobre o início da transparência no BNDES (com informações que já estão no site do banco há três anos) fizeram o colunista se lembrar da história da Avenida Chile, no Centro do Rio de Janeiro, via que já foi conhecida como Triângulo das Bermudas.

O apelido jocoso era uma alusão à região do Caribe famosa por desaparecimentos misteriosos de aviões e navios. No caso da Avenida Chile, uma referência irônica à falta de transparência de três estatais federais instaladas na região: Petrobras, BNDES e BNH. Em plena ditadura militar, o apelido era uma afronta, mas pegou.

O BNH é um ótimo exemplo para demolir a tese de que no tempo dos generais-presidentes não havia corrupção. Foram tantas denúncias que o Banco Nacional de Habitação acabou extinto em 1986 – já no governo civil – e suas funções incorporadas à Caixa Econômica Federal.

Um dos escândalos que a censura militar não conseguiu encobrir foi o Caso Delfin. A denúncia veio à tona em uma reportagem do jornalista José Carlos de Assis, atualmente integrante do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL.

A matéria publicada na Folha de S.Paulo em 30 de dezembro de 1982 (governo do general Figueiredo) expôs a dívida do Grupo Delfin – maior empresa privada de crédito imobiliário da época – com o BNH, no valor de Cr$ 60 bilhões, que seria paga com dois terrenos. No entanto, o valor real dos imóveis era de Cr$ 9 bilhões.

Houve retirada em massa dos depositantes da caderneta de poupança Delfin. Em 1983, o Banco Central decretou intervenção no grupo de Ronald Levinsohn. A empresa não conseguiu se recuperar e foi liquidada extrajudicialmente em 1984.

Levinsohn seguiu sua carreira de empresário, longe do mercado financeiro. Foi dono da UniverCidade, vendida ao grupo educacional Galileo em 2011 e apontada como meio para lavagem de dinheiro por parte do empresário, que nega a acusação. Mas isso já é outra história.

 

Qualificações

Em 2017, o fotógrafo Lula Marques flagrou uma conversa pelo WhatsApp entre os então deputados federais Jair e Eduardo Bolsonaro. Pai e filho, mostrou a foto, discutiam a respeito da ausência de Eduardo na votação para presidente da Câmara; Jair era candidato e conseguiu apenas quatro votos.

Em meio a frases enigmáticas como “Não vou te visitar na Papuda [presídio de Brasília]” ou “Se a imprensa te descobrir aí, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu”, o atual presidente do país pergunta: “Tens moral para falar do Renan [o filho mais novo, do segundo casamento – Flávio, Carlos e Eduardo são do primeiro matrimônio]?”

Eduardo responde: “Me comparar com a merda do seu filho, calma lá.” O que estará ele dizendo hoje sobre Flávio?

 

Custo neoliberal

O preço da gasolina no Brasil assustou um norte-americano. Dois anos após sua última visita ao nosso país, encontrou o combustível na faixa dos R$ 4,76 (preço médio na semana passada no Rio de Janeiro), equivalente a US$ 1,29 por litro.

Como na terra do Tio Sam ainda não se usa o sistema decimal, converta-se para galão (3,78 litros), o que dá US$ 4,87 por galão. O norte-americano não se lembra de ter pago mais de US$ 3,80, isto quando o barril do petróleo chegou a mais de US$ 130, antes da crise do subprime. Hoje, paga na casa dos US$ 2,10 por galão, ou cerca de US$ 0,55 por litro (R$ 2,05).

De acordo com o site GlobalPetrolPrices.com, o preço médio mundial da gasolina é de US$ 1,09 (R$ 4,03) por litro, “mas existem grandes diferenças entre os países. Os países mais ricos têm preços mais altos, e os mais pobres e os países produtores e exportadores de petróleo têm preços consideravelmente mais baixos. Os Estados Unidos representam uma exceção, pois são um país economicamente desenvolvido, mas ao mesmo tempo têm preços da gasolina baixos”.

O Brasil, em desenvolvimento e grande produtor, é outra exceção, só que negativa. Na Nigéria, país pobre e grande produtor, a gasolina custa US$ 0,41.

 

Vem aí o eclipse lunar

Para os alunos de Olavo de Carvalho, um indício de que a Terra é plana: nós a chamamos de “planeta”; se fosse redonda, seria “redondeta”.

 

Rápidas

O Center Shopping Rio realiza neste domingo, das 15h às 18h, oficinas de chaveiro e tiara. Inscrições gratuitas em https://bit.ly/2MdfXAK *** O Dia Nacional do Aposentado é comemorado em 24 de janeiro. Fora o alto escalão do Judiciário, Executivo e Legislativo, alguém tem o que comemorar?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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