A economia do motoboy (‘motoboy economics’)

Sem a precarização, não há a substância.

Empresa Cidadã / 19:16 - 26 de mai de 2020

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Quem diria? Quem antes foi o inimigo número 1 da classe média motorizada nas ruas de São Paulo e outras cidades brasileiras, acabaria se tornando motor da economia do país? Quantos espelhos laterais dos veículos circulando precisaram ser quebrados para se chegar ao reconhecimento? Quantos xingamentos no trânsito, fazendo parecer, às vezes, uma daquelas reuniões ministeriais? Quantas sacolinhas plásticas (EPI possível) nos pés para mantê-los secos nos dias de chuva?

 

O Ministério da saúde adverte...

...na pesquisa Viva, Inquérito 2017, que “a cada dez atendimentos por acidente de transporte realizados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), oito são motociclistas”. Ainda pela pesquisa, homens representaram 67,1% dos atendimentos, principalmente os situados na faixa etária de 20 a 39 anos.

Em 2018, os acidentes de trânsito causaram 183,4 mil internações que custaram R$ 265 milhões ao SUS, enquanto em 2017, o número de internações foi 181,2 mil, ao custo de R$ 259 milhões. Mais de 50% das internações envolveram a presença de motociclistas.

No Brasil, o número de motoboys está estimado em 1,2 milhão. Somente no Estado de São Paulo, estima-se que há um número superior a 500 mil. A profissão é regulamentada desde 2009 (Lei 12.009), assim como a de motofretista, e foram estabelecidas medidas protetivas. Além disso, a Resolução Contran 356 reiterou e expandiu algumas das medidas dispostas na Lei 12.009/2009 (idade mínima de 21 anos, habilitação de dois anos na categoria, aprovação em curso específico no Contran, uso de capacete com elementos retrorrefletivos, proteção para pernas e motor e aparador de linha de pipa com material cortante). Tudo com o propósito de dar mais segurança a esses profissionais. Por que então não dá? Por que não é a linha chilena de pipa que torna o trabalho destas pessoas precário. Apesar de tudo, as internações derivadas de acidentes com motos custaram ao SUS R$ 96 milhões. (2016, 2017 e 2018, somados). A precarização do trabalho é um dos sais da fórmula

Sem a precarização, não há a substância.

 

A tal da precarização...

Dados do Dieese apontam que a probabilidade de um trabalhador terceirizado (como trabalha a maior parte dos mototaxistas e motofretistas) sofrer acidente é 5,5 vezes maior do que a de um trabalhador registrado. Segundo o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, de 2012 a 2018, o Brasil registrou 4,5 milhões de acidentes de trabalho, derivando daí 16.455 óbitos, o desembolso da Previdência de R$ 79 bilhões, com Benefícios Acidentários, e a perda de 351 milhões de dias de trabalho. Muito mais do que as perdas com o isolamento social, pretendido por alguns governos estaduais e municipais, para evitar o colapso da rede de saúde durante a pandemia da Covid-19.

Quem se importa com estas perdas, porém?

 

Ele conseguiu!

Finalmente, o banqueiro/posto Ipiranga/economista já pode ir ao aeroporto em paz. Acabou a balbúrdia que as empregadas domésticas faziam lá. O Banco Central divulgou os gastos dos brasileiros no exterior. Em abril deste ano, as despesas de brasileiros no exterior foram de US$ 203 milhões. Comparando com o que foi gasto por brasileiros no exterior (US$ 1,493 bilhão) em 2019, observa-se uma redução de 86,4%.

Perguntada se o câmbio, com a moeda brasileira depreciada, alteraria os seus planos de ir Disneylândia novamente em 2020, Greyce Kelly respondeu que não está mais interessada na Disney. “Até por que, o homem lá, por injunções marginais, não ia nos deixar entrar mesmo.”

 

Três citações

Oportunidade que nós temos, que a imprensa não tá . .. tá nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação. Grande parte dessa matéria ela se dá em portarias e normas dos ministérios, inclusive o de Meio Ambiente. Enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas” (ministro Ricardo de Aquino Salles)

Imagina o que não dizem fora das câmeras” (pirralha Greta Thunberg)

Triste do homem que faz de sua boca um cu” (poeta paraibano Jessier Quirino)

 

#Fique em casa

Na paz.

 

Paulo Márcio de Mello é professor servidor público aposentado da Universidade do Estado do RJ (Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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