A face real do corte

Os efeitos das medidas alinhavadas pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na terça-feira, podem ser mais bem compreendidos olhando os exemplos da realidade da Grécia, como mostrado em matéria aqui, nesta página, na mesma terça. Os cortes nos gastos com saúde resultaram num surto de aids e malária. E não é preciso ser economista ou médico para calcular que os custos para o tratamento das doenças foram muito maiores que o dinheiro “economizado”. Argumentarão alguns ingênuos que a redução nas despesas é fundamental para conter o déficit do governo e reduzir a dívida pública. Na Grécia, uma década de aperto conseguiu levar a dívida de 112% do PIB, em 2009, para 180% do PIB, este ano. As reformas de austeridade levaram a uma queda de 26% do PIB entre 2008 e 2014.

Limitar o crescimento dos gastos com saúde e educação à variação da inflação representa congelar os recursos. Como o mesmo não ocorreria com a população, que segue crescendo, ainda que lentamente, para os padrões necessários a um país em desenvolvimento, não é difícil ver que a qualidade dos serviços irá cair. Quem pode pagar uma boa escola particular ou um plano de saúde top não terá do que reclamar. A conta ficará, como é costume de nossas elites, para os mais pobres. Reforça-se a desigualdade e limita-se o desenvolvimento do país. Aliás, são aqueles que pregam os cortes os mesmos que dizem que sem educação o Brasil não vai para frente.

Vai-se gastar melhor, alardeiam as Polianas. Este conto é repetido desde o tucanato, passando pelo reinado petista, com ganhos marginais. A redução na corrupção e nos desvios pode, realmente, elevar as verbas. Mas alguém vê no ministério de Temer nomes com capacidade e interesse em tomar esta providência?

Réquiem

Ainda que não explicitada, a política de aumento real do salário mínimo foi colocada na UTI com as medidas anuncias terça-feira pelo governo interino. Com o congelamento dos gastos, não haverá como repassar os ganhos da economia para quem recebe o piso, ainda que – outra mudança desejada, porém de quase impossível concretização – o reajuste das aposentadorias seja desvinculado do mínimo. Como a equipe econômica deve impor a mesma limitação dos gastos a estados e municípios – todos com o pires na mão – o aumento real será imolado em nome da austeridade, se conseguir passar no Congresso.

A mudança deixaria em júbilo coxinhas que têm sido obrigados a trocar suas empregadas domésticas por diaristas devido a este mau hábito de se tentar levar o salário mínimo para um patamar que permita uma sobrevivência digna – o que, diga-se de passagem, ainda está muito distante.

Aluga-se

A taxa de lojas ociosas nos shoppings centers brasileiros inaugurados nos últimos três anos é de 45%, segundo pesquisa do Ibope Monitor. Para Rodrigo Barcellos, do escritório Barcellos Tucunduva, mestre em direito comercial pela USP, o lojista tem o direito de pleitear a revisão do aluguel ou a extinção do contrato firmado com o empreendedor do shopping center em razão do aumento da ociosidade desses estabelecimentos.

Fora do alvo

Seguir as recomendações feitas para o mercado de ações português pelo banco norte-americano Goldman Sachs iria gerar ao investidor mais perdas do que o PSI-20, que vem em uma trajetória de queda. Os analistas portugueses foram melhor guia, mostra matéria do Jornal de Negócios, que fala na falta de pontaria do “gigante” do investimento mundial no mercado de Portugal.

Melhor amigo

Dois terços (75%) dos brasileiros possuem pelo menos um animal de estimação. O percentual é superior à média mundial, que fica em 56%. Os dados fazem parte de uma pesquisa global da GfK que envolveu 27 mil entrevistas online em 22 países. A pesquisa mostra que a posse de animais de estimação atinge 80% dos argentinos e mexicanos, fazendo da América Latina um dos mercados mais atraentes para empresas ligadas ao setor de nutrição e cuidados com animais. Também se destacaram Rússia e Estados Unidos, respectivamente com 73% e 70% dos entrevistados declarando a posse de animais.

Campeões em popularidade, os cães estão presentes nas casas de 58% dos brasileiros entrevistados, enquanto que os gatos estão em 28%. Menos numerosos, os donos de aves somam 11% e de peixes, 7% dos brasileiros pesquisados.

Piada pronta

O ator Alexandre Frota foi “apresentar uma pauta muito grande” ao ministro da Educação, Mendonça Filho. Desse jeito, o José Simão perde seus empregos.

Rápidas

O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil, Otaviano Canuto, falará sobre as perspectivas da economia na palestra “Competitividade e crescimento da economia brasileira”, durante o Almoço do Empresário, da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio), na quarta-feira, na sede da associação, na Rua da Candelária, 9, no Centro *** “Procedimentos para elaboração de balanços em moeda funcional USD” é o curso que o Ibef-Rio realiza em 16 de junho. Mais informações: (21) 2217-5566.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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