A influência crescente da China

Como a economia global impacta o cotidiano dos brasileiros. Por Fernando Senna

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Xi Jinping e Lula (foto de Ricardo Stuckert, PR)
Xi Jinping e Lula (foto de Ricardo Stuckert, PR)

Não tem mais como olharmos para o nosso o próprio umbigo. A globalização está longe de ser um tema inédito nas rodas de conversa, nas escolas, ou nas empresas. No entanto, isso não significa que ele é necessariamente bem compreendido por todos, em especial quando se trata de negócios, algo ao que muitos já viram a cara muito antes de escutarem um “Taxa Selic”, taxando todo o assunto como muito complexo e, portanto, difícil demais para entender.

Economia de fato não é algo simples de se discutir corretamente, ainda mais quando posto no contexto internacional. Porém, “difícil” não é um sinônimo para “impossível”. Por meio desse artigo, espero poder ajudá-los a compreender um pouco mais do impacto que o mercado do nosso país sente com a influência do cenário global, em especial da China, que vem ganhando cada vez mais destaque nos noticiários.

A China, já há muitos anos, é uma das, se não a principal parceira do Brasil na economia. Para se ter uma ideia disso, no ano passado, o maior valor de todas as exportações brasileiras de soja foi para a nação chinesa, um total de US$ 31,8 bilhões.

Minério de ferro e petróleo não-refinado brasileiros também tiveram ótimos valores em 2022 com o país asiático, chegando a US$ 18,2 bilhões e US$ 16,5 bilhões, respectivamente. Não é à toa que a China é o parceiro comercial com o qual o Brasil tem maior superavit desde 2016, ultrapassando até mesmo os EUA.

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Não é necessário trabalhar no agronegócio ou nas refinarias de petróleo para entender que isso é muito dinheiro mesmo que entra no país.

É tão importante a presença dos chineses no mercado para o Brasil que isso acaba resultando em desdobramentos geopolíticos. Basta ver a recente aproximação que o atual governo tem tido em relação a várias decisões da China, seja pelo fato deles terem convencido o presidente Lula a abrir mão de sua resistência em relação a expansão dos Brics, ou ao recente alinhamento de visões sobre a guerra na Ucrânia.

Colocando qualquer tipo de ideologia política de lado, isso é totalmente mercadológico. Se o Brasil se indispor com a China de alguma maneira, isso pode acarretar consequências graves para o comércio, no momento em que eles decidirem comprar menos de nós.

Ainda mais com o país crescendo economicamente cada vez mais a cada dia, fazendo frente a predominância americana, o cenário definitivamente não é muito propício para se cortar laços comerciais com os chineses.

Fernando Senna Figueiredo é diretor de gestão de recursos da Acura Capital.

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