A Integração Sul-Americana

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O processo integracionista vem ganhando mais espaço no planeta desde o final da 2º Guerra Mundial. Dois impulsos sociais, principalmente, alimentam a idéia integracionista: a necessidade de se unir para a defesa comum ante ameaças maiores e o interesse econômico de ampliar mercados comerciais por meio de mecanismos de incentivos à produção dos países associados.
A via da associação econômica leva, indiscutivelmente, ao rumo do bom entendimento político.
Em nosso Hemisfério Americano a idéia integracionista vem proliferando desde a Carta de Jamaica (1815) do Libertador venezuelano Simon Bolivar. Inúmeras propostas integracionistas se seguiram: – Doutrina Monroe (1823), Conferência de Jamaica (1826), União Pan Americana (1890), a primeira que tomou forma e estrutura; no período de tensões que precedeu à eclosão da 2º Guerra Mundial, através de uma sucessão de Conferencias os países das três Américas firmaram pactos de defesa coletiva e de assistência reciproca. Após o conflito armado foi criada a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Dentro do espírito que inspirou a OEA, outras iniciativas integracionistas de âmbito regional ou subregional foram lançadas tais como o Programa de Boa Vizinhança, a Operação Pan Americana, a Aliança para o Progresso, o Pacto Andino, Tratado Pan Amazônico, Mercosul, Nafta e, em formação, a Alca e outras associações regionais menores no Caribe e na América Central. Pela 1ª vez, entretanto, está nascendo a vontade política de integrar o subgrupo hemisférico, a América do Sul, numa entidade econômica solidária, tendendo para o mercado comum.
Ultimamente vem tomando forma a idéia de uma integração sul-americana, como subsistema do bloco continental. Esta idéia lançada em um dos painéis do Seminário sobre a Amazônia promovido pela ESG em fins de 1999, está merecendo estudos contínuos do Itamarati e começa já, a transbordar para o âmbito de estudiosos estrangeiros.
Na publicação editada pelo “Center for Strategic and International Studies “(Washington), intitulada “Pensando Estrategicamente-2005”, a concepção de uma América do Sul unida, figurando como parceiro comercial e político dos Estados Unidos transparece nas formulações apresentadas.
Mais recentemente, os estudos sobre as relações Brasil-Estados Unidos realizados por um grupo integrado por respeitáveis economistas, diplomatas e acadêmicos, traduzidos numa Carta dirigida ao Presidente Bush, recém empossado, destaca a posição do Brasil como maior pais sul americano. O Brasil representa sozinho, diz a Carta, a metade da extensão territorial, da população e do Produto Interno Bruto (PIB) do subcontinente austral. Ocupa posição geopolítica  central e revela competente poder de coordenação diplomatica em toda a área subcontinental. Põe em relevo que o Brasil é a 3ª maior democracia do mundo, hoje perfeitamente consolidada.
São conceitos de fora que fortalecem a idéia de que, uma das missões mais importantes que espera nossa diplomacia nos próximos anos, será a de concretizar negociações que conduzam à criação de um sistema de integração sul-americana, capaz de gerar enriquecimento e progresso social para todos os países membros.

Carlos de Meira Mattos
General Reformado do Exército e Conselheiro da ESG

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