A mídia quer sangue (da esquerda)

A outrora grande mídia brasileira não escondeu a torcida e a satisfação com a confirmação da...

A outrora grande mídia brasileira não escondeu a torcida e a satisfação com a confirmação da condenação do ex-presidente Lula pelos três desembargadores do TRF4. Refletiu quem a sustenta (cada vez menos, a julgar pelos balanços das companhias de comunicação), tal qual o mercado financeiro. Talvez o maior, mas certamente não o único, exemplo dessa torcida foi a legenda estampada pela BandNews, sete horas antes do voto final, afirmando que Lula fora condenado por unanimidade. Realmente, ele assim o foi pela unanimidade dos jornalões, redes de TV e afins. Jogo jogado, com a ação decisiva do juiz, parte-se para a etapa seguinte, decisiva: as eleições. O Globo estampa: “Condenação unânime esvazia candidatura ao Planalto”. Mas a manchete mais significativa vem do Valor: “Tribunal tira Lula do jogo eleitoral”, afirmação taxativa que, embora ignore análises jurídicas, está muito próxima da realidade. Afinal, com o Judiciário adotando uma agenda e um calendário políticos, impedir o ex-presidente de concorrer parece carta marcada.

A análise de que sem poder ir às urnas, Lula está fora do jogo, porém, carece de sustentação. Assim como as repetidas frases sobre o abatimento e a divisão da esquerda, sempre atribuídas a fontes não identificadas. Hoje, quem está dividido é o campo da direita. Ainda que, no final, acabem marchando juntos, a falta de um candidato palatável e o excesso de propostas que vão contra a população tornam árdua a tarefa dos conservadores. Do outro lado, a influência de Lula pode levar a esquerda ao segundo turno e à vitória. Se não houver mais influência do tapetão. Até aqui, segue a tese revivida: ele não pode ser candidato; se for, não pode ganhar; se vitorioso, não pode assumir; se tomar posse, não pode governar; e se o tentar, não pode chegar ao fim do mandato.

 

Visão de fora

Ao contrário da mídia conservadora brasileira, a imprensa estrangeira adotou um tom entre o imparcial e o de críticas, veladas e expressas, à decisão do Judiciário. O espanhol El País disse: “Situação de Lula mergulha eleições de 2018 em insegurança política e jurídica”. No texto, fala que “seja como for, uma grande novela ainda está por vir. E até que o Supremo Tribunal Federal ou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as últimas instâncias possíveis, declarem que ele é inelegível, ele pode continuar a fazer campanha”.

Também espanhol, El Mundo destacou o duro golpe que a decisão representa para “o presidente mais valorizado da história do Brasil”. O jornal chama atenção para a defesa, destacando os episódios em que uma funcionária do TRF-4 pediu a condenação de Lula nas redes sociais e o momento em que a justiça utilizou uma reportagem de O Globo como prova.

A agência russa Sputnik ouviu o especialista argentino Pablo Gentilli, que afirmou que a decisão tomada revela “enorme fragilidade democrática e insegurança jurídica” existentes no Brasil. Secretário-executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), Gentilli acredita que a medida teria por objetivo impedir que Lula volte a ser presidente, afirmando que “agora está sendo jogada uma batalha dupla, a jurídica e a política”.

O conservador The Washington Post, como não poderia se furtar, tuitou que a corte brasileira confirmou a condenação do ex-presidente, “potencialmente encerrando a carreira do icônico líder latino-americano”.

 

Ato falho

Ao noticiar o tuíte do Washington Post sobre o resultado do julgamento, o site Exame traduziu “conviction” como “convicção”. O jornal norte-americano, certamente, queria dizer “condenação”, outro significado para a palavra. Mas a tradução da revista brasileira acabou não ficando assim tão longe da realidade do MP e do juiz Sergio Moro.

 

Rápidas

A Associação dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro (Usuport-RJ) e o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros (Sindaerj) convidam para apresentação da Anvisa, que será transmitida ao vivo (em https://www.youtube.com/channel/UCOpTJgyy17Qf9R_SdfQwCZg), do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, a partir das 10h da manhã desta sexta-feira. As vagas para o auditório estão esgotadas *** O Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil 2018 está com as inscrições abertas. A iniciativa é da Fundação SM, e o vencedor terá o livro publicado e um adiantamento de R$ 40 mil em direitos autorais. Inscrições até dia 31 de janeiro pelo site www.barcoavapor.edicoessm.com.br/formulario-de-inscricao/

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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