A paz é o caminho

Por Paulo Alonso.

Em 17 de setembro é celebrado o Dia da Compreensão Mundial. A data procura ampliar o entendimento entre as pessoas, ou seja, a paz entre as nações, os estados e os povos. Saber lidar com as variadas diferenças, respeitando e procurando entender os sentimentos do próximo são nobres ideais para um mundo mais tranquilo, baseado na igualdade, fraternidade e liberdade, lema da Revolução Francesa e que tornou-se um grito de ativistas em todo o Mundo, que defendem a democracia liberal ou constitucional e a derrubada de governos opressores. A data tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre uma das principais características que a humanidade deve ter para que haja o máximo de paz no planeta: a própria compreensão.

A grande questão proposta no Dia da Compreensão Mundial é justamente saber lidar com as diferenças, formadas por vários fatores, como faixa etária, geração, cultura, religião, educação etc. A ideia é fazer com que todos os líderes de governo e a sociedade em geral pensem e equilibrem os seus julgamentos com paciência e principalmente com respeito ao próximo, zelo e acolhimento. A compreensão abrange os numerosos tipos de preconceitos e atuais conflitos que existem em todas as sociedades, sejam étnicos, religiosos, sexuais ou socioeconômicos.

Mesmo com avanços em relação aos Direitos Humanos nas últimas décadas, diariamente ainda são observadas numerosas notícias, no Brasil e no Mundo, pelos meios de comunicação, que nos chocam por motivos variados, muito deles absolutamente banais. A diferença sempre se apresenta, pois há também distintas divergências de ideologias, culturas, religião, orientação sexual, educação, dentre outros.

Faz-se mister entender a importância de cada atitude pessoal como um fator que facilite a harmonia e a construção da diversidade de pensamentos. A flexibilidade e a tolerância são fundamentais para que a justa compreensão se realize. O ser humano está cada vez mais individualista. Hoje, são confundidos pessoa, indivíduo, personalismo e individualismo. Nossa cultura está marcada pela supremacia do individualismo em detrimento do altruísmo e do personalismo. O outro, o próximo, o semelhante, o irmão, o diferente e o necessitado são colocados à margem e muitas vezes descartados.

O individualismo globalizado se expressa na absolutização do ter, do poder e do prazer. Quem vê e compreende os desgastes socioculturais e ético-religiosos de uma sociedade, sabe da necessidade de profundas transformações. O Afeganistão é um triste exemplo de intolerância social, de gênero, religiosa e política. E ele não está só no planeta, mas é o que, nos últimos tempos, tem ganhado maior notoriedade, pela brutalidade e truculência da ação dos Talibãs.

Para mudar essas tristes realidades que assolam às sociedades atuais, torna-se imprescindível reconhecer equívocos em processos sociais e políticos, no funcionamento de segmentos e das instituições, requerendo uma inteligente análise da realidade, com profundas e mais do que necessárias reflexões.

Oportuno, neste momento, é dedicar-se a refletir sobre as eleições em 2022, que ocorrerão, no Brasil. Muitas singularidades do período eleitoral merecem estudos aprofundados, capazes de indicar caminhos para a sociedade brasileira. Sem dedicar a atenção devida ao momento vivido no país, valores e princípios fundamentais à civilidade continuarão a se enfraquecer. Prevalecerá um modo de pensar ancorado na rigidez que sustenta convicções fundamentalistas, alimentando a falsa crença de se possuir a absoluta verdade sobre projetos, pessoas e instituições.

E no dia em que se festeja a compreensão, nada mais oportuno do que recorrer ao líder indiano pacifista Mahatma Gandhi (1869–1948) e refletir sobre suas convicções: “Não há caminho para a paz, a paz é o caminho” ou “a liberdade individual e a interdependência são essenciais para a vida em sociedade” ou, ainda, “a não-violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. Ela é uma arma para os bravos.” Gandhi está no imaginário das pessoas como uma espécie de semideus ou profeta da paz e ganhou destaque na luta contra os ingleses por meio de seu projeto de não violência, pregando justamente a compreensão.

No Dia da Compreensão Mundial, sejamos mais humanos, menos individualistas; construtores de um futuro mais fraterno, justo, ético e respeitoso.

 

Paulo Alonso, jornalista, é reitor da Universidade Santa Úrsula.

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