A Petrobras é nossa

As declarações do prefeito de São Paulo, João Dória Jr., defendendo a privatização da Petrobras mereceram um esclarecimento feito pelo ex-deputado Ricardo Maranhão, conselheiro da associação que reúne os engenheiros da estatal (Aepet). Para Maranhão, as afirmações de Dória Jr. “demonstram lamentável desconhecimento, do prefeito da maior cidade do país, sobre a Petrobras e a indústria do petróleo”. O prefeito propõe a privatização gradual de toda a empresa. “A Agência Nacional do Petróleo seria reguladora do processo, para que não se perca o controle sobre as políticas públicas de combustível. A privatização dará maior competitividade, e com isso a Petrobras fica protegida do assalto, das indicações políticas.”

Maranhão ensina que o petróleo (óleo e gás natural) é produto estratégico, não renovável, finito, a maior e mais importante fonte de energia na civilização contemporânea. “Seu aproveitamento e o controle de suas reservas e produção conferem poder econômico, político, tecnológico e militar aos que o exploram”, continua o ex-deputado. “O petróleo é responsável por mais da metade da energia consumida no Brasil e, também, no mundo. Matéria prima para centenas de produtos petroquímicos. A história desta indústria é marcada por acirradas tensões, guerras, deposições de chefes de estado e outros conflitos, decorrentes das disputas pelo controle de sua produção e reservas.”

Ao contrário do que Dória Jr. propõe, o que se verifica é uma crescente estatização da indústria, traduzida no protagonismo, cada vez maior, dos Estados nacionais e de suas empresas estatais. Na década de 1950, as maiores empresas multinacionais privadas chegaram a produzir cerca de 55% do petróleo. Hoje, esta participação está reduzida a menos de 10%. O mesmo ocorre com as reservas, onde as empresas controladas pelos Estados nacionais também são absolutamente majoritárias. Consideradas as 30 maiores petrolíferas no mundo, 22 são empresas sob controle estatal.

Maranhão lembra a luta pela criação da Petrobras, com a campanha O Petróleo É Nosso, “o maior movimento de mobilização popular da história de nosso país. Em uma indústria com quase 160 anos, transformou-se, em pouco mais de seis décadas, na maior companhia brasileira, décima petrolífera do mundo. Empresa competitiva, eficiente, exerce liderança inquestionável na exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. Liderança reconhecida, internacionalmente, com a concessão de três prêmios, outorgados, em 1992, 2001 e 2015 pela OTC – Offshore Technology Conference”.

O conselheiro da Aepet frisa que esta é uma questão suprapartidária, onde o interesse e a soberania nacional devem prevalecer sobre as disputas políticas. Ele concorda plenamente com a posição do prefeito de São Paulo quanto à necessidade de proteger a Petrobras “do assalto, das indicações políticas”. Mas ressalva que estas indicações não são necessariamente lesivas, desde que contemplem dirigentes competentes, éticos, íntegros, cientes do importante papel desempenhado pelas empresas do Estado. “O remédio é a mudança nas condutas e práticas políticas, hoje caracterizadas pelo fisiologismo, corrupção e loteamento do aparelho do Estado.” E finaliza Maranhão: “Também a privatização não é panaceia. O panorama nacional está repleto de práticas e condutas condenáveis e intoleráveis, também no setor privado.”

 

A volta do ‘pato’

A CNI volta a tratar a população como “pato”. Iniciou campanha apoiando a Reforma da Previdência de Michel “3%” Temer com um dado equivocado: diz que o maior gasto da União é com a seguridade, quando na realidade é com o pagamento de juros da dívida, que mordem quase 50% do Orçamento da União. Os dados estão à disposição do público, até dos dirigentes da Confederação da Indústria.

 

Rápidas

A Fiesp divulga nesta quinta-feira o resultado do Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria de outubro e as perspectivas econômicas dos empresários em novembro *** Nesta quinta, às 19h30, o coral Angeluz se apresenta no West Shopping (RJ) como parte do roteiro especial de Cantatas de Natal *** A FGV recebe o ministro Henrique Meirelles para o seminário Reavaliação do Risco Brasil. Também estão previstas as presenças do presidente da Vale, Fabio Schvartsman, e do secretário de Acompanhamento Econômico da Fazenda, Mansueto de Almeida Júnior. Será dia 4, das 9h às 13h, na sede da FGV, no Rio.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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