A Petrobras que foi e a que deveria continuar a ser

Por Francis Bogossian.

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A produção brasileira de Petróleo e Gás cresceu fortemente ao longo da última década, especialmente por conta dos bons resultados da exploração da chamada camada do pré-sal, para a qual faço a devida reverência a Guilherme Estrela e à sua equipe.

Esse crescimento foi precedido por expressiva demanda por equipamentos e serviços, que alçaram o mercado brasileiro a um dos mais atraentes para as empresas de suprimento da indústria petrolífera em todo o mundo.

Por conta dessa demanda e dos avanços necessários para o desenvolvimento dos campos de petróleo em águas ultraprofundas e muito afastadas do litoral, o Rio de Janeiro passou a receber uma série de centros de pesquisa de companhias ligadas ao setor, se abrigando principalmente no parque tecnológico da UFRJ, na Ilha do Fundão.

O país teve uma oportunidade única, e o Rio em especial, de atrelar a Universidade a esse inevitável salto tecnológico.

Em paralelo, a construção de embarcações e plataformas de petróleo reabilitou antigos estaleiros e fez surgir outros novos. O mais recente, em Pernambuco, foi projetado para ser o de maior capacidade do país, junto com o de Açu no litoral norte fluminense. Assim, os portos respectivos ganhariam mais vigor, exigindo uma repaginação de toda a logística de transporte.

Quando a Petrobras foi criada, nem os mais visionários poderiam imaginar sua fantástica trajetória: da exploração terrestre ao pré-sal. Passou a ser a maior empresa do país e uma das maiores do mundo, destacando-se sempre por incentivar e estimular as companhias nacionais. Este foi seu principal diferencial, auxiliar as empresas nacionais a se desenvolverem tecnologicamente, promover atração de novas tecnologias e economizar divisas. Assim, inúmeros métodos e equipamentos para a prestação de serviços aqui e em outros países foram criados pela Petrobras ou para ela.

Durante vários anos, ela adquiriu, gerou ou absorveu tecnologia, repassando-a para a Nação, propiciando a geração de 5 mil empresas brasileiras fornecedoras de equipamentos para o setor de petróleo e ainda 3 mil fornecedoras de serviços.

A Petrobras esteve presente em 27 países, levando nossa tecnologia aos quatro continentes. A empresa mostrou sua capacidade técnica, tendo conseguido prêmios máximos internacionais pela excelência no desenvolvimento de tecnologia, sendo ainda considerada até anos atrás a quarta empresa mais admirada do mundo, sendo incluída, pela Goldman Sachs, entre as 10 companhias mais viáveis do planeta.

Estou dando um mero exemplo da efetiva prática do nacionalismo no sentido absoluto da palavra.

A Petrobras, ao longo de sua vida, caracterizou-se pela exigência, não só com o que produz, mas também com o que contrata, fazendo, sempre que necessário, face ao nível de complexidade do serviço, com auditorias contratadas para o “due diligence” nas empresas suas prestadoras de serviços.

Aquele modelo de contratação da Petrobras deveria ser mantido e seguido por todos os órgãos públicos, porque a seleção é feita pelo MELHOR PREÇO, que não necessariamente é o menor. O importante é que o contratado tenha capacidade técnica, financeira e reais condições de realizar o serviço, obedecendo a todos os quesitos de QSMS – Qualidade, Saúde, Segurança e Respeito ao Meio Ambiente – além do cumprimento dos prazos contratuais. Não há custo maior do que o atraso de uma obra ou serviço.

Temos que parar para pensar se é do interesse do país a nossa Petrobras deixar de lado essas diretrizes, como também esquecer que o Petróleo é Nosso.

Francis Bogossian

Presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e ex-presidente do Clube de Engenharia.

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