A queda do comércio no mês das mães ilustra crise

O Rio de Janeiro sofre mais que outros estados a crise econômica, vítima que é da política recessiva do Governo Federal, como todos, com acréscimo dos desmandos dos mandatários locais. Mas o que acontece no Rio pode ser extrapolado para o país.

Vejamos o comércio varejista da capital fluminense. Em maio de 2019, houve queda de 3,1% nas vendas em relação ao mesmo mês de 2018. Foi o quarto maio seguido de redução. O mês em que se comemora o Dia das Mães – segunda data comemorativa mais importante para as vendas, atrás apenas do Natal – só viu aumento em relação ao ano anterior em 2015, quando o Governo Dilma ainda iniciava a política de “austeridade” que jogou o Brasil ladeira abaixo.

Vejamos os números: vendas em maio de 2015: alta de 1,1%; em maio de 2016: queda de 5%; 2017: redução de 5,2%; 2018: menos 3,2%; e maio de 2019: perda de 3,1% (os dados são de levantamento feito pelo Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro – CDL-Rio para esta coluna).

Os números sobre desemprego divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira explicam o quadro decepcionante no comércio. A taxa de subutilização da força de trabalho (25%) igualou o recorde da série histórica da Pnad Contínua. A população subutilizada (28,5 milhões de pessoas) é recorde da série iniciada em 2012. O número de pessoas desalentadas (4,9 milhões) igualmente é recorde.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 2.289) caiu 1,5% frente ao trimestre anterior e ficou estável frente ao mesmo trimestre de 2018. A massa de rendimento real habitual (R$ 207,5 bilhões) não se alterou em relação ao trimestre anterior e cresceu meros 2,4% (mais R$ 4,9 bilhões) frente ao trimestre março-abril-maio de 2018.

A situação do emprego só não é pior porque o número de trabalhadores por conta própria (24 milhões de pessoas) também é recorde da série do IBGE. São camelôs, motoristas de aplicativo e outros bicos que não dão segurança para fazer uma compra a longo prazo – isso quando sobra renda no fim do mês.

O resultado está no comércio, na indústria e na impopularidade – igualmente recorde – do presidente Jair Bolsonaro. O flerte de Paulo Guedes com alguma política de estímulo à economia, como a liberação de depósitos compulsórios para bancos emprestarem mais, é insuficiente. Ninguém toma crédito, ainda que mais barato (o que não é garantido), se não tem demanda. Se a recuperação não for puxada pelo Estado, o Brasil continuará em depressão.

 

Receita neoliberal

De Marcio Pochmann, sempre afiado no Twitter: “Era só tirar a Dilma que as finanças se reorganizariam. No receituário neoliberal de Temer e Bolsonaro, a dívida pública bruta saltou de R$ 4,1tri (68,6% do PIB) em mai/16 para R$ 5,5tri (78,7% do PIB) em mai/19, equivalente ao aumento de 34,1% na dívida ou 14,7% em relação ao PIB.”

 

Caducou

As centrais sindicais comemoram o arquivamento da Medida Provisória 873 e consideram que foi fruto da mobilização das entidades. O principal objetivo da MP era “enfraquecer e destruir o movimento sindical”, na opinião da CUT, Força, CTB, CST e NCST.

Vale ressaltar que a MP 873 quer asfixiar os sindicatos economicamente, ferindo, inclusive, acordos internacionais assinados pelo Brasil na OIT (Organização Internacional do Trabalho) que garantem o respeito à autonomia e a liberdade sindical.” A MP 873 não conseguiu o apoio necessário no Congresso, caducando nesta sexta-feira.

 

Crime hediondo

Perguntado sobre “homeschooling”, Ciro Gomes disse que se Moro lecionar Português para o filho, chamará o conselho tutelar. Falta advertir Damares a não lecionar Biologia; Weintraub, Matemática; Ernesto, História; e Bolsonaro, módulos extras de defesa pessoal e guerra às drogas.

 

Rápidas

Os ministros da Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participam de reunião na Fiesp nesta segunda-feira, às 10h *** O 7º Seminário Nacional de Vendas, Motivação, Negociação e Liderança ocorrerá no próximo dia 13 no Ouro Minas Palace Hotel em Belo Horizonte. Entre os palestrantes, Alexandra Fabri e Prof. Marins *** O Carioca Shopping realiza o “Esquenta de Arraiá”, dias 5, 6 e 7, com música sertaneja, forró e animação infantil, com direito a corrida de saco e ovo na colher *** A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulga nesta terça-feira o estudo “Conjuntura do Transporte – desempenho do setor”, que traz um panorama do transporte no Brasil.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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