A raiz da crise do Iraque

Opinião / 14:44 - 7 de fev de 2003

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A raiz da crise do Iraque é que presidente Bush está inabalavelmente convencido de que o governo do Iraque possui armas de destruição em massa (biológicas e químicas), que apoia o terrorismo de Bin Laden e que está disposto a empregá-las contra os Estados Unidos e seus aliados. O discurso do secretário de Estado, Collin Powel, na ONU foi uma reafirmação das convicções do seu presidente sem conseguir convencer a França, a Rússia e a China e outros países com as provas apresentadas. Ninguém tira esta convicção sinistra do presidente Bush, apesar de todas as negativas de Saddam Hussein e do fato da Comissão de Inspetores da ONU não ter encontrado até hoje nenhuma prova evidente da fabricação ou existência de armas destruição em massa. Uma guerra, como quer o presidente Bush, pode deflagrar uma catástrofe de conseqüências imprevisíveis nas economias nacionais e internacional. Nesta hora em que as finanças andam mal, em todo o mundo, predomina o receio dos governos de se arriscarem e apoiar um conflito bélico, sem que estejam cabalmente convencidos de que Saddam Hussein tem o poder maligno que lhe é taxado por Washington. O problema está se resumindo numa questão de crença. Os governos dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia acreditam nas previsões sinistras de Bush e estão dispostos a acompanhá-lo na aventura bélica, considerada indispensável à eliminação do flagelo do terrorismo no mundo. A França, Rússia e China, entre os "grandes", lideram aqueles que declaram que ainda não tem provas suficientes para crer na inevitabilidade da guerra e manifestam que somente tomarão disposição com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Acreditam que todos os recursos para uma solução diplomática ainda não foram esgotados. Enquanto se prolonga este dilema, vão se estendendo os efeitos da crise econômica, que pouco a pouco, aumenta o clima de insegurança e incertezas, que restringe e onera as atividades monetárias e comerciais internacional. Em discurso recente o presidente Bush declarou que não é possível mais prolongar esta crise. Promete uma solução "não em meses, mas em semanas". Será com ou sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU. As "cartas" parece que foram jogadas. Dizem os entendidos que mesmo uma guerra cuja duração não passe de uma semana será digerida sem maiores abalos pela economia mundial. Carlos de Meira Mattos General reformado do Exército e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG).

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