A reação da sociedade

Opinião / 18:04 - 30 de set de 2002

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Outubro de 92. Mesmo quem não morava no Rio ainda se lembra do noticiário sobre "arrastões" que aterrorizavam os banhistas nas praias da Zona Sul. Quem morava na cidade e freqüentava as praias, sabia que a realidade não era bem a que aparecia na mídia. Ninguém sabia onde começava o tumulto e não conhecia vítimas do "arrastão"; nem o registro de furtos por turistas aumentou. Apenas a multidão seguia a correria, que curiosamente começava sempre que uma câmera de televisão jogava seu foco sobre a praia. Tal como agora, era véspera de eleições - em 92, antes do segundo turno para a Prefeitura do Rio, que opunha a atual governadora, Benedita da Silva, e o atual prefeito, César Maia. O governador era Leonel Brizola, que também fora vítima de "arrastões" armados em 83. Passada as eleições, os "arrastões" sumiram tão inexplicavelmente quanto surgiram na telinha. O clima de pânico que tentaram impor ao Rio, ontem, pouco tem a ver com um suposto poder do tráfico de drogas. Na semana das eleições, o objetivo político não está nem um pouco disfarçado. Ocorre justamente quando o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aparece nas pesquisas com fortes chances de ser eleito em primeiro turno e a candidata à reeleição ao governo do Estado do Rio cresce na preferência do eleitorado. A especulação não se limita à alta do dólar, que chegou semana passada perto de R$ 4. Ela também aparece nas supostas ordens dadas por supostos líderes que vêem seu poder escorrer entre os dedos. E cresce se for amplificada pelo sensacionalismo de órgãos de imprensa prontos a transformar boatos em notícias. Não se combate a especulação criticando os especuladores. É preciso colocar o aparato do Estado - Banco Central, Receita Federal e outros - para impedir as manobras e punir seus autores. Também contra a violência é necessário que o Estado faça seu dever, colocando a polícia na rua e tentando restaurar a tranqüilidade. O que o governo do Rio fez prontamente, ontem. Ninguém vá esperar, porém, que a polícia - ainda mais com histórico de problemas acumulado nas últimas décadas - possa resolver o problema sozinha. A reação tem de ser de toda a sociedade, que não pode aceitar ser acuada diante de ameaças de origem obscura; e que tem de saber identificar, também, os incentivadores do clima de pânico, que não se preocupam com o prejuízo causados às pessoas, às empresas e o Estado do Rio de Janeiro. As urnas também são parte dessa resposta.

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