A reunião dos “Grandes” em Okinawa

373

Debaixo das mais rigorosas medidas de segurança, contra as manifestações populares de protestos, está se realizando e reunião da Cúpula dos 7 Grandes mais a Rússia, na ilha japonesa de Okinawa.
Os protestos são dirigidos ao Presidente Bill Clinton, presente, exigindo a retirada da base militar americana instalada na ilha. O acirramento das tensões entre a população da ilha e os militares americanos ali instalados foi muito agravado, há uns dois anos passados, quando um grupo de marinheiros estuprou uma jovem nativa. Os culpados foram severamente punidos mas a mancha não se apagou. Os Estados Unidos ainda mantém cerca de 45.000 soldados nas bases japonesas, dos quais 30.000 na ilha de Okinawa.
Mas, voltando à reunião da Cúpula, os “Grandes” vieram tratar, em essencial, dos problemas gerados pelas profundas desigualdades de nível de vida entre os povos do planeta. Na agenda de suas discussões encontram, entre outros itens, os seguintes: agravamento das desigualdades produzidas pela tecnologia da informática, alastramento da Aids, futura rodada do comércio internacional (após o fracasso da última rodada de Seattle), prevenção contra os conflitos existentes e os em gestação e, finalmente, e mais importante, a aceleração do processo de perdão das dividas dos países mais pobres.
No tocante ao perdão da dívida dos países mais pobres, vale a pena lembrar que na reunião da Cúpula dos “Grandes” realizada na Polônia, no ano passado, ficou decidido levantar uma reserva de 100 bilhões de dólares, para este fim. Foram selecionados 40 países mais pobres para merecerem o benefício de terem perdoadas suas dívidas. Até agora apenas oito países foram contemplados (Uganda, Mauritânia, Moçambique, Tanzânia, Senegal, Burkina, Honduras e Bolívia).
A lentidão no processo de atendimento da resolução da Polônia vem criando crescente inquietação e prolongamento dos conflitos sociais provocados pela crise econômica incontrolável nos 32 países selecionados, que receberam um sopro de esperança.
A questão das profundas desigualdades de condições de vida no planeta vem se tornando uma preocupação cada vez maior da consciência universal. Ao lado do sentimento de injustiça social que encerra, há o aspecto de incubadora de conflitos de toda a natureza. O relatório que acaba de ser divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento apresenta dados decepcionantes: nos últimos cinco anos o número de pessoas indigentes (dispõem de menos de um dólar por dia) no planeta cresceu de 1 bilhão para 1,2 bilhões, enquanto o grupo das 200 mil pessoas mais ricas do mundo obtiveram, em 1999, uma renda superior a receita dos 40 países mais pobres. Isto tudo depois dos esforços realizados por algumas entidades internacionais.
Mais do que louvável, é necessário que os “Grandes”, reunidos agora na Cúpula de Okinawa voltem as suas atenções para esta grave questão das profundas desigualdades sociais que se acentuam num mundo globalizado pela informação, que revela diariamente, em todos os recantos, os contrastes entre a opulência e a miséria.
Devem os mais ricos do mundo se convencerem de que, quando investem para diminuir as profundas desigualdades sociais entre os povos, não estão gastando, mas, a médio prazo, economizando. Tentando evitar o conflito social de dimensões catastróficas, a que levará, inevitavelmente, o agravamento contínuo das desigualdades entre os povos, estarão se precavendo de um envolvimento do qual não poderão se omitir.

Carlos de Meira Mattos
General reformado do Exército e Conselheiro da ESG.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui