A revolução na gestão e do emprego – os impactos da inteligência artificial

A revolução da IA na gestão e no mercado de trabalho: desafios e impactos nas relações laborais.

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Inteligência artificial
Inteligência artificial (foto de Ou Dongqu, Xinhua)

A Inteligência Artificial (IA) está transformando diversos setores da sociedade, incluindo o mercado de trabalho. Ela tem o potencial de impactar profundamente o modo como trabalhamos, gerando tanto desafios quanto oportunidades.

Neste artigo, resolvi trazer algumas reflexões sob o ponto de vista das relações de trabalho. Por isso, tomo a liberdade de usar o conceito de IA, que emprego para meus estudos, porque é algo em constante mudança: “a inteligência artificial (IA) funciona por meio de algoritmos que, ao serem treinados com conjuntos de dados, aprendem padrões e ajustam parâmetros para realizar tarefas específicas.” Por isso, dizemos que utilizamos o aprendizado de máquina, especialmente empregando métodos de aprendizado contínuo.

É fato que a IA tem o potencial de automatizar e ajudar na gestão de inúmeras tarefas realizadas por humanos. Isso pode levar à perda de empregos em algumas áreas, como manufatura, serviços e atendimento ao cliente, de acordo com relatório do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, de 15 a 19 de janeiro de 2024. Atualmente, experimentamos a presença da IA em diversos contextos, como centros de atendimento telefônico, em que muitas interações são conduzidas exclusivamente por máquinas, recorrendo-se ao atendimento humano apenas quando necessário. Essa realidade se estende desde consultas bancárias até o agendamento de exames médicos ou simples pedidos de refeições.

Em contrapartida, serão criados novos empregos e novas profissões vão surgir, exigindo diferentes habilidades. Conforme o mesmo relatório, estima-se que até 97 milhões de novos empregos podem ser criados para atender à demanda por habilidades relacionadas à IA.

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Na área jurídica, a IA ajuda nas pesquisas, na aceleração de respostas, mas nunca podemos perder de vista o ser humano, aquele que vai ensinar a máquina a apoiar nas tarefas. Por isso, digo que há desafios a serem superados, como a perda de empregos, a necessidade de preparação de mão de obra para lidar com a IA e o impacto social que ela irá provocar. Agora, se bem aplicada, a tecnologia, com o passar dos anos, trará melhor qualidade de vida e melhores condições de trabalho.

Na área de gestão de pessoas, já vemos inúmeros exemplos de atuação da IA: desde processos de recrutamento, engajamento e desenvolvimento de lideranças até treinamentos direcionados. Como exemplo, é possível citar a automatização de tarefas administrativas como processamento de folha de pagamento, a fase inicial de seleção de candidatos, entre outras rotinas. Mas, como disse, precisamos do ser humano dando as diretrizes, porque senão teremos processos não completos. Veja: bons profissionais poderão não participar de um recrutamento caso haja uma diretriz com critérios muito fechados.

Por outro lado, a IA pode agilizar a gestão da análise de informações de performance de empregados, padrões e tendências, e trazer mais rapidamente não só melhorias ao processo, como também vantagens competitivas. Mesmo na área de treinamento, é possível personalizar capacitações considerando as necessidades de cada colaborador e aí otimizar recursos valiosos como o tempo.

A IA tem o potencial de melhorar a eficiência e a eficácia da gestão de pessoas. No entanto, é importante usar a IA de forma responsável e ética, porque senão se tornará uma ferramenta que poderá ser discriminatória aos empregados.

E aí entra um papel importante da gestão de pessoas, que é o pensar à frente. Quais habilidades serão valorizadas no futuro com o avanço da IA? Sabe-se que a evolução tecnológica está moldando o ambiente de trabalho, e o segredo é desenvolver habilidades complementares. Assim, com maior ou menor ênfase, todos serão convidados a buscar: interpretação de dados; aprendizado de máquina e inteligência artificial; pensamento crítico e solução de problemas; criatividade e inovação; habilidades sociais e emocionais; adaptabilidade e flexibilidade; liderança e gestão de equipes; conhecimentos em ética e segurança da informação; aprendizado contínuo e curiosidade intelectual e habilidades de comunicação digital.

É incontestável que já estamos em uma nova fase, progressiva, por assim dizer, em que as habilidades cognitivas deverão ser desenvolvidas. Esse desenvolvimento virá da prática, por meio de atividades e cursos exigidos e promovidos pelas empresas.

A chegada da IA e da automação ao mercado de trabalho tem trazido desafios para diversas profissões. Com a capacidade de substituir trabalhadores de forma eficiente e com menor custo, essas tecnologias têm o potencial de impactar negativamente o emprego em alguns setores. Porém, como dito acima, algumas profissões não serão eliminadas, mas passarão por alterações que exigirão treinamento cognitivo, ou seja, haverá máquina para execução de determinadas atividades que necessitarão do raciocínio humano para validação do trabalho executado.

Em meio a todas essas mudanças, como fica a participação dos sindicatos? A era da tecnologia está revolucionando a maneira como os sindicatos se comunicam com os membros de suas categorias, seja para fiscalizar as atividades das empresas, seja para fornecer orientações e treinamentos para as categorias. E aqui caberá ao sindicato também o papel de promover o diálogo e pensar formas de preparar as pessoas para esta nova etapa das relações do trabalho.

Juliana Cerullo, advogada e Líder da Área Trabalhista do RONALDO MARTINS & Advogados.

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