A ‘revolução verde’ em pauta na Cúpula do Clima

Quatro dos dez maiores poluidores – EUA, China, União Europeia e Índia – estão avançando.

Na Cúpula do Clima, realizada na penúltima semana de abril, diversos países, por meio de seus líderes, comprometeram-se a uma nova “geopolítica verde”, no sentido de empreender mais esforços para atingir as metas ambientais traçadas no Acordo de Paris em 2015. Diferenças políticas foram deixadas de lado para uma cooperação global acerca de objetivos ambientais comuns para a redução das emissões, que permitam combinar ações e resultados já em 2022, na cúpula ambiental da ONU, COP-26, a ser realizada em Glasgow, Escócia.

Mobilizar as lideranças políticas para conter as mudanças climáticas a fim de que até 2050 seja possível zerar as emissões líquidas significa o envolvimento dos países, cidades, empresas e de toda a sociedade para que sejam adotadas ações concretas com metas mais ambiciosas e definindo ações e políticas para os próximos dez anos. Demonstrando que os custos da inação não podem continuar acumulando, a cúpula noticiou os esforços e metas de quatro dos dez maiores poluidores para redução de emissões. De fato, os EUA, China, União Europeia e Índia demonstraram que estão avançando nesse sentido.

Alternativas para criar, ampliar e baratear formas de energia sustentável não são apenas fundamentais para evitar uma catástrofe climática, mas meios de aceleração tecnológica e criação de empregos, que permitirão a formação de um mercado verde com grandes oportunidades e retorno financeiro. O presidente dos EUA, Joe Biden, se referiu ao momento, pela dimensão das oportunidades, como uma Quarta Revolução Industrial.

Restaurar as florestas desflorestadas pelo ser humano é uma forma de atuar para a remoção de gases de efeito estufa da atmosfera. Nesse sentido, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ao lado de outros líderes em sessão virtual na Cúpula do Clima, destacou o “compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal”. Argumentou que é “fundamental contar com os recursos financeiros dos países dispostos a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas”.

Alguns países com grande cobertura florestal, como Colômbia e Indonésia, estão atraindo recursos e investimentos enquanto o governo brasileiro, apesar de possuir US$ 3 bilhões parados no Fundo Amazônia, ainda não apresentou uma gestão dos recursos que integre o discurso apresentado ao mundo às ações efetivas para concretizá-lo. Ao contrário, os índices de desmatamento continuam aumentando, gerando incertezas quanto às reais possibilidades de o país atuar eficazmente para conter o desmatamento.

A principal mensagem da Cúpula do Clima é a de que o desenvolvimento sustentável é o grande desafio do século XXI. Nesse sentido, é necessário ser superado o atraso na transição verde pactuada no Acordo de Paris e a necessidade de os países chegarem à COP-26 muito mais preparados para a cooperação mundial em torno da questão ambiental e das mudanças climáticas, demonstrando ações e resultados efetivos, vontade política e gestão eficaz no sentido de concretizar o que muitas vezes não passa de boas intenções. Em resumo, nessa nova “revolução verde”, ganha o planeta e aqueles que primeiro puderem compreender a sua real dimensão, seus ganhos e suas perdas.

Ana Rita Albuquerque
Doutora em direito civil pela UERJ.

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