A rosa de Hiroshima

O que Barack Obama foi fazer em Hiroshima se não foi pedir desculpas? Conferir in loco o desastre provocado por seu país? Desculpas pede esta coluna a seus poucos, mas abnegados, leitores, pois havia dito que na edição de fim de semana trataria de assuntos mais amenos. Porém, não há como evitar meter a colher no assunto, que, ainda que não seja economia, é árido – aliás, como árida ficou a cidade após o lançamento da bomba, em 1945, bem como Nagasaki. Alguns sobreviventes declararam à imprensa internacional que veem na visita do presidente estadunidense um mea-culpa; outros, que ainda se passará uma década antes que um mandatário dos Estados Unidos vá apresentar um pedido de perdão. Finalmente, há quem acredite que o ato é simbólico na defesa da redução dos arsenais nucleares.

Seria um símbolo importante, mas atos falam mais forte. E Obama, infelizmente, foi o presidente que menos reduziu o aparato bélico nuclear dos EUA desde o fim da Guerra Fria. Dados apresentados pelo jornal britânico The Guardian mostram que o arsenal, em setembro do ano passado, havia caído para 4.571 cabeças nucleares, 702 menos que ao final da administração de Bush filho – por incrível que pareça, junto com Bush pai, foram os dois que mais desativaram armas atômicas, mais também que Clinton. Em 2015, apenas 109 cabeças saíram de circulação, o menor número anual desde 1970, pelo menos.

Ainda que 702 não seja um número modesto – nenhum outro país, fora a Rússia, tem mais de 300 cabeças nucleares – fala pouco para um presidente que agora pretendia fazer um ato simbólico. Críticos dizem ainda que a política de segurança estadunidense não se alterou nos dois mandatos de Obama. O papel do armamento nuclear não foi revisto, como prometido, e os EUA têm cerca de 700 a 800 mísseis com cabeças atômicas prontos para serem disparados caso algum radar detecte um ataque nuclear. Envolvido pelo establishment, Obama pouco avançou. Uma das causas foram as concessões que teve que fazer aos republicanos para conseguir apoio a um modesto tratado de redução de armas com a Rússia, em 2010.

Além de pouco ter feito, a administração Obama tem um agressivo programa de busca de armas nucleares novas, menores, cujo limite de ação é mais baixo. Além disto, os Estados Unidos têm boicotado discussões que movimentam dois terços dos países para que armas nucleares sejam declaradas ilegais. Ainda que não precisem seguir a determinação, os EUA não podem vetá-la. Enquanto ainda não estão prontos para autocrítica, os Estados Unidos seguem – espera-se que para sempre – como único país a ter utilizado uma bomba nuclear em uma guerra.

Padrão FMI

As dívidas das administrações públicas espanholas superou pela primeira vez desde 1909 a taxa de 100% do PIB, segundo cálculos do jornal El País, levando em conta os dados do primeiro trimestre e o ritmo atual de crescimento do Produto Interno Bruto. A dívida acumulada é de 1,095 trilhão de euros. Em março, houve um crescimento de 14 bilhões sobre o mês anterior, a maior alta desde maio de 2014 e a maior já registrada de fevereiro para março desde 2010.

Dever do Estado

Após retirar as Organizações Sociais (OS) da gestão nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o Governo do Rio de Janeiro tem que afastar as OS de todos os hospitais fluminenses, cobra o Sindicato dos Médicos (SinMed/RJ).

O presidente da entidade, Jorge Darze, salientou que “a Fundação Saúde do Estado não é igual às Organizações Sociais, mas ainda assim é uma instituição privada. E como tal, também viola a Constituição Federal, que assegura a saúde como um direito de todos e dever do Estado. Sendo a saúde uma obrigação do Estado, não há legalidade alguma em delegá-la a terceiros”.

Rápidas

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) participa, em Genebra (Suíça), da comitiva brasileira que estará presente na abertura da 105ª conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que será realizada de 30 de maio a 11 de junho *** “Governança corporativa – A capacitação básica do conselheiro” é o curso que o Ibef-Rio realiza dia 1º. Informações: (21) 2217-5566 *** O Caxias Shopping (RJ) recebe no próximo domingo, 5 de junho, às 17h, a Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes). O espetáculo, gratuito, faz parte da terceira temporada da Série Aliansce, projeto em parceria da administradora de shoppings e a Opes. As apresentações acontecerão ainda no Shopping Grande Rio, Via Parque, Carioca, Bangu, Parque Shopping Maceió e no Boulevard Belém *** A Praça Nossa Senhora da Paz, no coração de Ipanema, será devolvida à população neste sábado, com atividades para crianças e apresentação do grupo de teatro infantil Fabuloso Quintal de Histórias. A reabertura foi possível devido à conclusão das obras civis e dos serviços de acabamento da Estação Nossa Senhora da Paz da Linha 4 do Metrô. A estação segue, agora, com a finalização da instalação de sistemas e testes operacionais *** O consultor Francisco Galiza assina a coluna Observatório Seguro, que será inserida na newsletter mensal Conexão, da Liberty Seguros, distribuída para 60 mil pessoas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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