A rota da Sauvignon Blanc e suas aliadas

No último artigo, falei dos vinhos brancos do Vale do Loire, ressaltando a consagração da Sauvignon Blanc na região e, como esta cepa está longe de ser uma exclusividade do Loire, achei importante falar de suas aparições em outras regiões. A Sauvignon Blanc tem produtores e consumidores adeptos no mundo todo; é a terceira cepa mais plantada mundialmente e a segunda para vinhos finos, só ficando atrás da Chardonnay.

Originária da região de Bordeaux, foi a partir do cruzamento entre a Sauvignon e a Cabernet Franc, no séc. XVII, ali no oeste da França, que surgiu a poderosa Cabernet Sauvignon. Em Bordeaux, tem papel muito importante, embora os seus vinhos no Loire sejam mais estrelados, até porque ali ela faz vinhos varietais e, em Bordeaux, ela é parceira dos cortes de brancos secos e doces. O suficiente para que suas marcas estejam impressas nas características sensoriais dos vinhos, especialmente nos brancos secos.

Os vinhos tintos são dominantes em Bordeaux (em torno de 80%). A grande área de produção de brancos secos mais acessíveis ao bolso é Entre-deux-Mers, e os de maior requinte estão nas AOCs de Pessac-Léognan e Graves, que ficam logo abaixo da cidade de Bordeaux. Já os vinhos brancos doces, muito prestigiados na região, são produzidos pelas AOCs a sul dessa faixa de brancos secos. São vinhos licorosos, feitos a partir de uvas desidratadas pelo fungo Botrytis Cinerea, fenômeno favorecido pelo clima temperado oceânico.

Geograficamente falando, é possível fazer uma analogia com o que se diz dos vinhos tintos da margem direita e esquerda dos dois grandes rios que formam o estuário da Gironda, em Bordeaux. Ali se dividem os perfis dos cortes: mais Cabernet Sauvignon à esquerda e Merlot à direita. No caso dos brancos, podemos dizer que na margem esquerda do Rio Garonne, a sul da cidade de Bordeaux, se encontra a nobreza dos vinhos brancos secos e licorosos (Graves, Sauternes, Cérons e Barsac) e, na margem direita, os de custo mais acessível e qualidade variável, desde os secos e mais simples de Entre-deux-Mers até excelentes brancos licorosos, especialmente em Loupiac e Saint-Croix- du-Mont.

As parceiras de corte da Sauvignon Blanc em Bordeaux são a Sémillon e a Muscadelle. Sémillon e Sauvignon perfazem 92% do vinhedo de uvas brancas, com quantidades bem semelhantes. No entanto, a proporção de Sauvignon é maior nos secos e a de Sémillon é superior nos doces. A primeira confere frescor e potência aromática (vegetal, cítrico tropical, flores brancas) aos vinhos. Já a Sémillon oferece untuosidade, corpo, aromas de mel e frutas secas. Finalmente, a Muscadelle entra em mínima proporção, aportando notas florais aos vinhos.

Fora da França, a Sauvignon está bem espalhada e é sempre possível encontrar algum exemplar de boa qualidade em quase todas as origens. Vale destacar os lugares que empregam a uva de forma mais significativa em suas produções, com a obtenção de bons resultados. Começando pelo Velho Mundo, a Sauvignon Blanc é parceira importante hoje dos vinhos da Rueda, noroeste espanhol, onde ela participa de vários cortes com a Verdejo, variedade muito cultivada na região, resultando em atraentes vinhos frescos e aromáticos.

Na Itália, ela vai aparecer na região nordeste, especialmente em Alto Adige e Friuli, onde há grandes investimentos em vinhos brancos de cepas francesas, alemãs e nativas dessa área meio híbrida – fronteira com Áustria, Eslovênia e banhada pelo mar Adriático. São vinhos frescos, mais acidulados e vegetais. Igualmente, o Sauvignon austríaco, de influência alpina, é cítrico e mineral. Países do leste europeu ou da faixa europeia mediterrânica mais oriental, como Grécia, também incorporam a Sauvignon Blanc em suas produções.

No próximo artigo, seguimos as pegadas da Sauvignon e dos brancos pelo Novo Mundo.

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Leia mais:

A diversidade dos vinhos brancos do Vale do Loire e suas majestades

Vinhos varietais de almas franco-alemãs

Verão pede vinho branco, e os da Alsácia são imperdíveis

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