A Rota passa pelo Brasil

A iniciativa chinesa do Cinturão e Rota pode beneficiar o Brasil? A resposta é: sim. Apesar de o centro do projeto ser a Ásia,...

A iniciativa chinesa do Cinturão e Rota pode beneficiar o Brasil? A resposta é: sim. Apesar de o centro do projeto ser a Ásia, espalhando-se para Europa e parte da África, a proposta da China vai além de criar caminhos de intercâmbio comercial. “A dimensão e grandeza dos investimentos criará uma dinâmica na economia global, que pode beneficiar não apenas as economias desse entorno, mas também de outras partes do mundo, como o Brasil e a América Latina”, como explicou em entrevista recente o cientista político José Medeiros, professor na Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, em Hangzhou.

A iniciativa se contrapõe ao atual engessamento da economia mundial provocado pela preponderância dos interesses especulativos financeiros sobre a produção real. Trata-se da forma como a China se coloca como grande potência, propondo parceria e cooperação para ganhos de todos os países. O projeto vai beber na Rota da Seda, que por 2 mil anos levou e trouxe mercadorias entre Ásia e Europa. Além disso, proporcionou intensa troca de culturas e tecnologias. A rota foi abandonada no século XV, tendo como marco o ano de 1453, quando os otomanos conquistaram a antiga Bizâncio, então Constantinopla, renomeada Istambul. O fechamento da rota estimulou o fantástico desenvolvimento da navegação, o aparecimento das potências ibéricas (Espanha e Portugal), um novo caminho para a Ásia e a descoberta para a Europa de um novo continente. E aqui aparece o Brasil.

Membro do Bric, nosso país pode desempenhar papel fundamental na nova construção mundial. Único integrante do grupo na América, seu peso é óbvio, e os Estados Unidos sabem disso. Por fazer parte dos países de língua portuguesa, tem também uma liderança natural neste grupo. Portanto, o Brasil há que estabelecer seus interesses e buscar parcerias para se integrar ao Cinturão e Rota. Em conversa com um colega de Bangladesh, este colunista perguntou como o país dele via a iniciativa chinesa. Ele respondeu que de forma positiva, ainda que a velocidade com que o projeto é implantado lá não corresponda ao desejo chinês. E assim deve ser, pois, se a China estabeleceu suas metas e interesses, cada país deve buscar a estratégia que melhor o atenda, dentro da colaboração mundial.

O grande problema conjuntural do Brasil é um governo ilegítimo, repudiado por 97% da população, e cujo único objetivo é fazer negócios questionáveis. Esta limitação pode ser superada em 2018. Independentemente disso, setores empresariais podem tocar uma agenda de interesse do país dentro da iniciativa. E aqui entra o problema de fundo: a ausência de um projeto nacional.

 

Fé na justiça

Goste-se ou não do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, sua prisão em pleno programa de rádio teve um caráter político e midiático que não combina com a Polícia Federal nem com a justiça. O TSE o liberou da prisão domiciliar nesta terça-feira.

Carlos Azeredo, advogado do ex-governador, comenta a decisão do Tribunal: “Durante o julgamento, os ministros do TSE descreveram a decisão do juiz Ralph Manhães (que condenou Garotinho) como ‘teratológica’, o que significa monstruosa, por conta da inidoneidade da sua fundamentação.”

 

Direitos fundamentais

A decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a Emenda Constitucional 86/2015 (artigos 2º e 3º), que reduz drasticamente o orçamento na área da saúde, foi considerada pelos movimentos sociais como uma grande vitória para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Na tarde desta quinta-feira, representantes do Conselho Nacional de Saúde (CNS) serão recebidos em audiência pelo ministro para reafirmar a importância da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5595. Para Lewandowski, os artigos do orçamento impositivo “pioram substancialmente a desigualdade no acesso a direitos fundamentais”.

 

Rápidas

A Fiesp realiza na manhã desta quinta o seminário Como Acelerar o Desenvolvimento Sustentável?, com foco na geração de bioenergia a partir de biogás, trazendo experiências da Suécia. Informações em www.fiesp.com.br/agenda/como-acelerar-o-desenvolvimento-sustentavel/ *** O jornalista Seth Kugel fará debate ao vivo com Fernando De Barthole, do canal Aero por trás da aviação, para discutir quem inventou o avião, Santos Dumont ou os Irmãos Wright? O debate acontecerá no canal Amigo Gringo (www.youtube.com/amigogringo), nesta quinta-feira, a partir das 20h *** Os Hotéis Othon anunciam Juliana Salles como gerente de Novos Negócios do grupo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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