A salvo

Segundo um assessor direto do presidente de um dos partidos governistas, está a caminho uma reviravolta em relação ao destino do Ipea. A presidente Dilma teria decidido subordinar o instituto diretamente a seu gabinete. Com isso, o Ipea continuaria vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) – cujo ministro é Moreira Franco (PMDB) – apenas por um período de transição, até ser completada a transferência para a presidência da República. Caso isso se concretize, seria preservado o pensamento crítico e mais plural que passou a ser abrigado no Ipea a partir do segundo governo Lula e que tanto incômodo causa nos cultores do pensamento único que se perpetuava no instituto nas duas últimas décadas.

Exportando desemprego
Um economista ligado ao estudo do mundo do trabalho desconfiou do estudo divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), esta semana, no qual defende-se mais mobilidade global da mão-de-obra qualificada, a pretexto de atender a demanda crescente, que atingiria o pico em 2020, sobretudo nos países emergentes: “A turma de Davos sempre defendeu a mobilidade do capital e resistiu ao livre trânsito de pessoas. Agora, com a estagnação no mundo desenvolvido, talvez, estejam querendo exportar o desemprego da elite dos trabalhadores”, disse o especialista à coluna.

Primeiro os meus
Já o cientista social Theotonio dos Santos, professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do Conselho Editorial do MM, antecipa que, caso a medida seja efetivada, não encontrará guarita na China, que tem estimulado o retorno da sua mão-de-obra qualificada hoje no exterior: “Os chineses dão prioridade a repatriar sua mão-de-obra, permitindo, inclusive, a chegada de famílias com mais de um filho, nascidos no exterior”, informou.

Ignorância com verniz
O ano começa com uma questão árida para o que têm por obrigação decodificar o jargão do economês: o que soa mais pernóstico e revelador da incompatibilidade de alguns falantes com a norma culta: medidas macroprudenciais ou bancarização?

Viés de baixa
Vem do jornalismo esportivo e de celebridades o exemplo mais recente e emblemático do crescente processo de perda da hegemonia do cartel que ainda controla a mídia no país. Contrariando os rumores e, inclusive, informações divulgadas em outros veículos da própria casa, de que a contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo seria anunciada oficialmente, segunda-feira, em entrevista exclusiva na bancada do Jornal Nacional, o craque e seu irmão e empresário Assis rebarbaram a TV Globo, optando por uma apresentação pública e uma coletiva dois dias depois. Alguém duvida de que, apenas cinco anos antes, o cenário seria outro?

Visão
O inverno anglo-saxônico, na visão do professor de Turismo Bayard Boiteux, poderá ser visto na Galeria da UniverCidade (Ipanema), em maio. Recém-chegado da Grã-Bretanha e da Irlanda, Bayard trouxe um acervo de 800 fotos, das quais foram selecionadas 65.

Parceria Buonafina
Raramente nome e cargo poderiam encontrar combinação mais perfeita, como no caso da Secretaria municipal de Participação e Parceria (SMPP) de São Paulo. Seu titular é Francisco Buonafina. Se a junção dos nomes ainda não ajudou a entender a que veio a secretaria, uma pista pode vir do anúncio de que ela estará presente, com a organização de oficinas, na quarta edição do Campus Party,. maior evento de tecnologia, inovação e entretenimento do país, de 17 a 23, no pavilhão do Centro de Exposições Imigrantes, Zona Sul de São Paulo.

Inspiração
Em meio às perdas humanas e materiais provocadas pelas enchentes em vários estados brasileiros, em particular Rio e São Paulo, um sinal de conforto e de como o país pode ser diferente vem da generosidade com que milhares de brasileiros anônimos dão sua contribuição, com doações e/ou participação direta no socorro e amparo às vítimas das tragédias. Esse desprendimento do povo, porém, não deve autorizar a capitulação dos governos, nos seus diferentes níveis, de suas obrigações de oferecerem soluções estruturais e permanentes para os problemas brasileiros e não apenas atuarem durante as emergências.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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