A seco, não!

Nem tudo é explicado pela macroeconomia. O salto no consumo da cerveja, que, segundo a Pesquisa Industrial Anual de Produto, do IBGE, passou de 41º produto mais consumido no país em 1979, para quarto mais consumido, em 1999, por exemplo, tem explicação mais simples. Nesses 20 anos, para aturar tudo de que o brasileiro foi vítima, só de porre.

Bola de neve
Assunto relegado a pauta secundária no jornalismo desidratado, a dívida pública continua preocupando, não apenas a oposição, como os círculos externos mais bem informados. Entre 1998 e o ano passado, a dívida saltou de R$ 388,7 bilhões para R$ 660,9 bilhões. Ou seja, um avanço de R$ 272,2 bilhões em quatro anos, com um incremento médio de R$ 68 bilhões por ano. Isso quer dizer que, em média, a dívida cresceu anualmente 2,7 vezes mais que a soma do orçamento destinado à Saúde e à Educação em 2001.
A escalada do endividamento promovida pelo tucanato, no entanto, se torna mais explosiva quando comparada ao tímido crescimento do produto interno bruto (PIB) do país. Entre 1998 e 2001, o PIB passou de R$ 914,2 bilhões para R$ 1,103,3 trilhão. Um crescimento nominal de R$ 189,1 bilhões. No entanto, em termos comparativos, enquanto o PIB avançou 20,7% em quatro anos, no mesmo período, a dívida aumentou 70%.
Boa notícia
A escalada da dívida e os nomes e sobrenomes dos beneficiados por essa derrama revela que, diferentemente do que interpretaram oráculos apressados, o rebaixamento do rating do Brasil por consultorias supostamente especializadas em risco de investimentos devido à perspectiva de derrota dos candidatos governistas é boa notícia para os brasileiros. Esse é um dos típicos casos em que o que é bom para eles, não é bom para o Brasil.
Trajetória
Aliás se palpite de consultoria tivesse o rigor científico que lhes é atribuído pelos crédulos, a Enron não teria quebrado e a Arthur Andersen não teria dado no que deu.

Cofre cheio
Afastado dos campos, mas não da mídia, durante cerca de três anos, Ronaldinho continua sendo um fenômeno financeiro. Segundo a revista France Football, com faturamento anual de 9,2 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 19,5 milhões, entre salários, contratos de publicidade e prêmios, o atacante do Internazionale de Milão é o quinto jogador mais bem pago do mundo. Em primeiro lugar, segundo a revista, está o francês Zinedi Zidane, com faturamento de 13,6 milhões de euros por ano (R$ 28,9 milhões).
Completam a lista, o inglês David Beckham (Manchester United, com R$ 10,3 milhões ), o argentino Gabriel Batistuta (Roma, R$ 10,1 milhões) e o japonês Hidetoshi Nakata (Parma, R$ 9,45 milhões).
Cofre cheio II
Numa comprovação de quão milionário é o contrato entre Ronaldo e seus patrocionadores, o brasileiro é, ao lado de Zidane, Vieri, Batistuta e Beckham, um dos cinco únicos a constar da lista dos dez mais bem pagos no mundo do futebol desde a primeira edição do ranking  publicado pela France Football, em 1999.

Situação limite
A insistência dos Estados Unidos e do FMI em arrancarem exigências inaceitáveis e inaplicáveis do cambaleante governo Eduardo Duhalde parece, para além de revelar o nível de autismo social de seus dirigentes, buscar produzir, com a Argentina, um estudo de caso sobre até onde pode suportar o esgarçamento do tecido social de uma nação. Melhor efeito não faria o acender de um fósforo debaixo de um barril de pólvora.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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