"A sociedade brasileira é preconceituosa, mas acredita que não."

Empresa Cidadã / 14:48 - 5 de mar de 2002

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(Roberto Martins, presidente do Ipea) O desemprego entre as mulheres da Região Metropolitana de São Paulo fechou o ano 2000 com 20,9% da população economicamente ativa (PEA). No mesmo ano, o desemprego entre os homens atingiu 15%. Constatações como esta, extraídas de estudo realizado pela Fundação Seade, divulgado no final do ano passado, denunciam a condição de trabalho desprivilegiada da mulher no Brasil. - Apesar de se referir a uma região do país, a mais densa do ponto de vista econômico, o estudo retrata a situação encontrada em outras partes. Se forem considerados os dados de 1995, verifica-se um agravamento da situação, com o crescimento do desemprego mais acentuado entre as mulheres. Em 1995, ele era de 11,8% entre os homens e de 15,3% entre as mulheres. Expandiu-se, portanto, em 27,1% entre os homens comparado ao crescimento de 36,6% entre as mulheres. - Na comparação entre raças, observa-se que entre brancos e amarelos, o desemprego masculino foi de 13,2% em 2000, contra 18,9% entre as mulheres. Em 1995, o desemprego entre as mulheres brancas e amarelas era de 13,9% e de 10,2% entre os homens. Também neste corte, o crescimento do desemprego foi maior entre as mulheres - 36%, contra 29,4% para os homens. - Entre pretos e pardos, em 2000, os homens responderam por 19% do desemprego e as mulheres por 25,1%. Em 1995, os homens respondiam por 14,9% e a mulheres por 17,8%. Portanto, no período, o desemprego entre pretos e pardos cresceu 27,5% para os homens e 41% para as mulheres. - Considerada a remuneração, as constatações são ainda mais graves. As mulheres não-negras com ensino superior completo recebem 65% do que recebem os homens de mesma raça e escolaridade. Outros aspectos que revelam o desfavorecimento das mulheres e dos negros são quantificados no estudo, como o da precariedade dos postos de trabalho, os sem carteira, autônomos e empregados domésticos. - Os desafios da empresa-cidadã no enfrentamento da discriminação no emprego de colaboradores, seja por motivo de gênero, raça ou dos dois combinados, inclui tanto atitudes no âmbito interno quanto extra-muros. - São exemplos as ações de política de emprego afirmativas, ressalvadas apenas as empresas cujas características do processo sejam peculiares, reservando cotas para mulheres, maior conhecimento da situação do emprego feminino, como número de mulheres empregadas por qualidade de posto de trabalho e remuneração, condições arquitetônicas próprias das instalações, ações de valorização da mulher trabalhadora e outras estão ao alcance das empresas com possibilidades de recompensas muitas vezes não imaginadas. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ Presente em quase 140 países, a Avon desenvolve programas com o objetivo de melhorar a condição da mulher. No Brasil, desde 1994 é realizado o Programa Saúde Integral da Mulher, difundindo informações sobre saúde através das mais de 600 mil revendedoras autônomas da empresa. As gerentes recebem treinamento específico realizado por médicas e psicólogas, coordenando grupos de cerca de 1 mil revendedoras. O programa compreende a realização de oficinas e a distribuição de cartilhas com informações sobre métodos anticoncepcionais, DST-Aids, gravidez, menopausa e câncer. As informações são disponibilizadas também para outras organizações interessadas na sua difusão, em outros formatos como o de programas de rádio e CD. O programa resultou também na instalação de um ambulatório ginecológico, onde as funcionárias são estimuladas a fazer o auto-exame das mamas e a realizarem exames preventivos regularmente. A empresa mantém berçários em São Paulo e Osasco, atendendo crianças de até dois anos, promove cursos para gestantes e distribui uma cartilha sobre direitos da mulher. DIGNO DE NOTA Dia 26 passado, foi lançado o livro Responsabilidade Social - Revolução do Nosso Tempo, de autoria do deputado gaúcho Cézar Busatto. O deputado peleja há algum tempo pela instituição da lei de responsabilidade social no Rio Grande do Sul e o livro propõe a solidariedade como política pública, através do voluntariado e de práticas de inclusão social. AGENDA Começa hoje e vai até o dia 8 de março o seminário internacional "Poder Local, Participação Cidadã e Políticas Públicas para Inclusão Social". Promovido pela prefeitura do Recife, pela Região Umbria (Itália) e pela Região Marche (Itália), organizado pela Prefeitura do Recife e pela Nuova Associazione (ARI-Itália), com apoio da Urbis, da Abong, do Cets/FGV e da Frente Nacional de Prefeitos, o seminário terá lugar no Mar Hotel, Boa Viagem, Recife (PE). Mais informações pelo tel 081-3302.4440. Paulo Márcio de Mello Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Correio eletrônico: paulomm@alternex.com.br

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