A sombra das distribuidoras de energia elétrica

Microgeração de energia solar cresce em velocidade de fórmula 1 e desperta cobiça das grandes empresas

A geração de energia solar de pequeno porte (empresas e residências), embora ainda pouco representativo na produção elétrica brasileira, vem crescendo a níveis exponenciais. Os equipamentos ainda são caros, o financiamento tem os juros abusivos que já conhecemos, mas ainda assim os preços vêm caindo (nos últimos dez anos, redução de 80%), e um sistema residencial costuma se pagar em quatro a cinco, com vida útil de até 25 anos. Segundo pesquisa do Ibope Inteligência deste ano, nove em cada dez brasileiros querem gerar energia renovável em sua residência.

Apesar de pequena, a geração começou a incomodar grandes grupos econômicos. “Um forte lobby, encampado por entidades que representam as distribuidoras, tem pressionado autoridades para alterar importantes regulamentações que dinamizaram o mercado”, acusam, em artigo, Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração, e Rodrigo Sauaia, CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O alvo principal é a compensação de créditos de energia elétrica para sistemas de microgeração e minigeração distribuída. “O motivo é financeiro: ao empoderar os consumidores, tornando-os produtores ativos de sua própria energia renovável e mais independentes, a geração distribuída solar fotovoltaica ameaça as receitas e lucros de distribuidoras que não se adaptarem à nova realidade do mercado”, afirmam os representantes das empresas instaladoras dos sistemas.

A intenção do lobby é de mudar as regras, para que consumidores com geração distribuída paguem mais pelas redes de distribuição”, denunciam. Mas quem adota o sistema de geração solar continua pagando pelo custo de disponibilidade (tarifa mínima) e, se produzir mais que consome, não pode vender o excedente; fica apenas com créditos para compensar posteriormente – o que acaba levando a um gasto maior, quando poderia contribuir para reduzir a necessidade de novos investimentos em grandes usinas e linhas de transmissão.

Já são mais de 46 mil consumidores (entre residenciais, comerciais, agronegócios, indústrias e poder público) que utilizam a microgeração solar. Em 2018, até novembro, foram instalados 24,9 mil sistemas, quase o dobro dos 13,6 mil de todo o ano passado. Na potência instalada, o crescimento foi de mais de 140%. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta que o modelo deve alcançar 886.700 brasileiros até 2024.

 

Limpo

O Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (EBRD) deixará de financiar a mineração de carvão térmico ou a geração de eletricidade a carvão. A diretoria do Banco aprovou nesta quarta-feira uma nova estratégia do setor energético que privilegia a energia limpa.

A estratégia para os próximos cinco anos enfatiza a ampliação do investimento em energias renováveis, apoiando a integração de sistemas energéticos, promovendo a mudança para fontes de energia mais limpas e resilientes e facilitando a eletrificação nas economias onde o Banco investe, “o que incluem algumas das economias e cidades menos eficientes em termos energéticos e mais poluidoras do mundo”.

O EBRD continuará a apoiar o setor de gás, por acreditar em uma “consistente transição de baixo carbono segura e acessível”.

 

Autobiografia

O presidente Michel Temer entregou, nesta quarta-feira, medalhas da Ordem Nacional Barão de Mauá a 59 “personalidades nacionais e estrangeiras que tenham prestado relevantes contribuições à indústria, ao comércio exterior e aos serviços do país”.

Boa parte são ou foram ministros de Temer (Marcos Pereira, Joaquim Silva e Luna, Aloysio Nunes Ferreira e Gilberto Kassab, entre outros). O grão-mestre da Ordem (o próprio presidente da República) e o chanceler (o ministro Marcos Jorge), também serão homenageados.

 

Ação e reação

Macron e Merkel aproximaram França e Alemanha em defesa da Europa e contra os EUA. Agora, o primeiro enfrenta protestos, e a segunda sofre para liderar o partido.

 

Rápidas

Renato Saraiva, fundador do Grupo Cers, assumiu a presidência da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac). Ele disse que sua prioridade será buscar, junto ao Congresso Nacional, a regulamentação do concurso público *** Os alunos da escola Musical Brothers se apresentarão em um recital de Natal no palco do Shopping Nova Iguaçu nesta sexta-feira. O centro comercial receberá doações de alimentos não-perecíveis.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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