A sororidade necessária

Por Iara Nagle.

Opinião / 17:09 - 7 de ago de 2020

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Mesmo quando se comprova que os dirigentes mulheres internacionais destacaram-se positivamente no enfrentamento desta crise pandêmica, como exemplo: Islândia, Nova Zelândia, Alemanha, Taiwan, Singapura, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Bélgica, e embora vivendo em realidades diferentes, a pandemia está mostrando que as mulheres estão criando uma nova forma de fazer política – diferente dos homens, tão viris, mas que não sabem cuidar das pessoas.

As mulheres foram criadas para cuidar, assim, exercem na política a atitude do cuidado. Entretanto, na política, as mulheres são apenas 10 dos 153 chefes de Estado eleitos em 2018, de acordo com a União Interparlamentar. Somente um quarto dos membros dos parlamentos do mundo são mulheres.

É sabido que esta crise sanitária e financeira mudará a vida das pessoas no Brasil e no mundo. Porém, as perspectivas para o pós-pandemia não são nada animadoras para as mulheres, e todos os problemas já conhecidos serão potencializados pela quebra da economia mundial e aumento dos índices de desemprego.

As engenheiras continuam superando todos os obstáculos, desde a formação profissional, passando pelo estágio, pela experiência machista nos canteiros de obras, onde a maioria é de homens, e até hoje, no século 21, num mercado de trabalho que ainda restringe oportunidades para as mulheres. Prova disso é que, no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro, são 25 mil mulheres registradas, em um universo de 130 mil profissionais. Embora o Crea-RJ seja o pioneiro no Brasil, fundado em 1934, em toda a sua história, de mais de oito décadas, nunca teve uma presidente mulher.

Mas de que forma a pandemia vai afetar ainda mais a vida das mulheres? Pesquisas mundiais vêm mostrando como as mulheres muito têm sofrido durante a pandemia e revelam que o alto índice de violência contra elas, não para de crescer. As mulheres profissionalizadas estão sofrendo mais. A velha divisão social do trabalho, o acúmulo dos cuidados com a casa e os filhos, onde as mulheres é que dão mais, permanece na pandemia.

A pandemia escancarou a desigualdade de gênero no Brasil. As mulheres de baixa renda e as negras são as maiores vítimas. As mulheres estarão assumindo um protagonismo muito grande, nos tempos pós pandemia. A sororidade que nos é necessária, nos faz imprimir o “dar as mãos”. Quem se elevar deve alçar ao alto aquela que precisa.

Iara Nagle

Engenheira Civil, presidente licenciada da Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (Abea) e membro vitalício do Conselho Diretor do Clube de Engenharia.

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