A utopia canadense

O pagamento de renda mínima leva as pessoas a deixar de trabalhar, favorecendo os preguiçosos. Este pode ser o pensamento de muitos. Mas a avaliação de uma experiência feita em uma cidade do Canadá na década de 1970 mostra que o preconceito não resiste à realidade. Ao contrário. Artigo de Rutger Bregman, autor de Utopia for Realists: And how we can get there (utopia para realistas, e como podemos alcançá-la, tradução da coluna) relata a descoberta, em 2009, de 2 mil caixas abandonadas em um depósito. Elas continham dados da cidade de Dauphin, próxima a Winnipeg. Lá, durante quatro anos, vigorou o programa de renda mínima – e foi um sucesso. Mas o Canadá elegeu um governo conservador, que enterrou a experiência – retirando inclusive verba para análise dos resultados.

Evelyn Forget, professora de Economia na Universidade de Manitoba, descobriu as caixas. Ao analisar as informações, durante três anos, chegou à conclusão que o experimento foi um tremendo sucesso. As pessoas de Dauphin não apenas ficaram mais ricas, como mais espertas e saudáveis. As crianças melhoraram na escola. Internação em hospitais caiu 8,5%. As pessoas não abandonaram seus empregos. Houve pequena queda apenas em mulheres que davam à luz e estudantes – estes porque permaneciam mais tempo nos estudos.

Bregman discorre em seu texto sobre os problemas trazidos pela pobreza. Basicamente, ele acredita que é o contexto que leva os pobres a “más decisões”. Em resumo, “pessoas pobres não tomam decisões estúpidas porque são estúpidas, mas porque elas vivem em um contexto no qual qualquer pessoa tomaria decisões estúpidas”. Defensor da renda mínima, o autor do artigo acredita que, recebendo dinheiro, as pessoas comprar o que precisam, e não o que especialistas acreditam que elas precisam. A tese tem defensores de sociais-democratas a direitistas. Um dos mais conhecidos era Milton Friedman, papa do liberalismo, vencedor do Prêmio Nobel, que defendia o “imposto negativo”. Acredita que a economia ganharia com a redução dos gastos com a burocracia para distribuir auxílios aos mais pobres.

Rutger Bregman lembra que a pobreza tem custo elevado. Nos Estados Unidos, os gastos com pobreza na infância montam a US$ 500 bilhões por ano, incluindo saúde, menos educação e mais violência. Com US$ 175bilhões, calcula ele, seria possível fazer o que foi feito em Dauphin: erradicar a pobreza.

Treino é treino

O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria da Fundação Getulio Vargas subiu 6,9 pontos no primeiro trimestre de 2017 em relação ao trimestre anterior, atingindo 100 pontos, o maior nível desde o primeiro trimestre de 2015 (100,8). Daquele ano para cá, o investimento, bem intencionado ou não, só desabou.

Café

Numa iniciativa do Preservale e da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ, o hotel Copacabana Praia sedia, no próximo dia 28, uma oficina para promover as fazendas do Vale do Café. Serão apresentadas palestras sobre o potencial turístico e roteiros para a região, haverá degustação de cachaças e apresentação de teatro durante o intervalo para café.

Coordenado pelo gerente de Turismo do Preservale, professor Bayard Boiteux, o evento tem o apoio do Cieth, Fundação Cesgranrio, Sergio Castro Imoveis e Portal Consultoria em Turismo. O evento será das 14h30 às 18h30, e o número de vagas é limitado. As inscrições devem ser feitas pelo endereço www.cieth.com.br (não haverá inscrições no dia).

Controle

Atualmente, 14 grupos de mídia partilham entre si mais de dois terços da imprensa ocidental (Fox, Bertelsmann, CBS Corporation, Comcast, Hearst Corporation, Lagardère Group, News Corp, Organizações Globo, Sony, Televisa, Disney, Time Warner, Viacom e Vivendi). Junto com Google e Facebook, estão empenhados em combater o que classificam de “notícias falas” – pela lógica do cartel, todas que não são produzidas por eles.

Rápidas

Com a participação de apenas uma chapa, liderada por Roberto Clemente Santini, que concorre à reeleição, A Associação Comercial de Santos elege na próxima terça-feira sua diretoria *** A Roncato Advogados realiza no próximo dia 16, às 9h30, palestra sobre o Programa de Regularização Tributária (PRT), o novo Refis. Informações pelo e-mail [email protected] *** Para debater a participação da mulher nas telas e atrás das câmeras, a Ancine fará o Seminário Internacional Mulheres no Audiovisual, 30 de março, no Auditório da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Detalhes em www.ancine.gov.br/seminario-ancine *** O Clubinho Castelo dos Jogos do Carioca Shopping terá uma programação especial gratuita nos sábados e domingos de março, com jogos como totó, sinuquinha, jogo da memória, jogo de dama e de botão, entre outros. A atração fica no shopping até dia 26, das 14h às 20h

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorMais CLT e menos TRT
Próximo artigoContra a globalização

Artigos Relacionados

Montadoras não vieram; demissões, sim

Promessas de Doria e Bolsonaro para fábrica da Ford não passaram de conversa para gado dormir.

Ganhos de motoristas de app desabam

Renda média é de pouco mais de 1,5 salário mínimo.

Lei determina que estatais respeitem interesse público

Acionistas da Petrobras sabem que ela tem obrigações e bônus por ser de economia mista.

Últimas Notícias

Quatro em 10 brasileiros pretendem pedir crédito nos próximos 90 dias

Intenção atingiu maior patamar desde junho de 2021; dívidas são o principal motivo.

Healthtechs e edtechs rivalizam com fintechs por investidores

Startups de saúde e de educação se aproximam das empresas de tecnologia financeira na disputa pelos aportes

Mercados dão continuidade a movimento negativo visto desde ontem

Bolsas e commodities cedem, enquanto as curvas de juros dão um alívio; moedas são a exceção e avançam contra o dólar.

Conab aponta para safra de café em 53,4 milhões de sacas

Nos quatro primeiros meses, país já exportou 14,1 milhões de sacas de 60 kg; volume é 10,8% menor que o exportado em igual período de 2021.

Em caso de novo ataque hacker, 80% das empresas pagariam resgate

Senhas: sequências numéricas simples ainda são motivo de ataques cibernéticos.