A vacina, o turismo e o Renascimento

Domingo de Páscoa. Aqui, no computador, querendo de alguma forma deixar uma mensagem, de positividade, apesar de um mar de incertezas e de sofrimento. Olho para tudo que vem acontecendo e a cada dia que passa entendo a importância da vacina. Ela é a resposta definitiva para um caminhar mais tranquilo, não para chegarmos a um céu de brigadeiro, mas para tentarmos sobreviver.

Ela veio para ficar e carregada de insumos de alegria, solidariedade e Vida. Ela tem o DNA da Ciência, da Verdade e do Conhecimento. Embora não esteja acontecendo na velocidade da Fórmula 1, que todos desejávamos, ela parece encontrar um caminho. Uma força surge dos gritos dos destemidos prefeitos, governadores e de nós, cidadãos para seu reconhecimento.

Hoje, sinto dentro de mim um Renascimento e um respeito muito grande pelos que celebram a Páscoa como um momento de gratidão e de repercussão do gesto de Alguém, muito importante, que deu seu filho para a Humanidade.

Sei que seria muito bom comemorarmos com almoços familiares ou entre pessoas queridas, mas o momento é de lockdown, de ficar em casa, e nosso maior presente é nossa atitude em relação aos que nos cercam, cuja compaixão vai além de um ovo. Estabelece-se numa palavra de carinho, num gesto de amizade e no valor da consciência coletiva. Uma consciência que nasce naqueles que acreditam em paz, interior, exterior e na voz da beleza e sobressalto de Jesus. Sentimento de poesia e fusão de corações apertados.

Momento difícil para a economia e para o turismo. Momento de se doar. Exemplos nos mostram que não é o momento de viajar, mas que não podemos deixar se perder em voos desconhecidos, uma atividade que traz pluralidade, diversidade e fé.

Vi com muita alegria uma campanha da Prefeitura de Vassouras (RJ), dizendo que não é hora de viajar, mas mostrando um banco vazio na linda praça da cidade que em breve poderá se tornar Patrimônio da Humanidade, com a menção de que lhe espera em momento oportuno. Na ação do Fairmont Rio, que abre suas portas para a vacinação, em Copacabana. Nos voos especiais que a TAP realiza, para trazer de volta expatriados e levar outros para a terrinha, que me emociona só em citar.

A verdade é que estamos todos com vontade de chorar, de gritar e muitas vezes, a coragem falta a alguns, que se escondem em histórias de negacionismo, quiçá com o desprezo pela Humanidade, mas talvez também pelos exemplos irresponsáveis, que visitam lugares públicos sem máscara, postam fotos, como aconteceu em Brasília. Não é uma luta da direita e da esquerda, mas uma guerra entre conscientes e inconscientes da pandemia.

Segunda Páscoa da pandemia para todos nós, trancados em casa ou trabalhando na linha de frente, como demonstração de apreço, por um mundo que vai sair da incerteza se, juntos, preconizarmos razão.

 

Bayard Do Coutto Boiteux é professor universitário, pesquisador, escritor e funcionário público de carreira.

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