“A vida é vir a ser e já ter sido.”

(Imre Madách, 1823-1864, em A Tragédia do homem)

O que é ser empresa-cidadã? Há empresas que desenvolvem importantes projetos sociais ou ambientais. Ao mesmo tempo, utilizam-se de práticas de mercado perversas, geram desperdícios ou degradam o ambiente. Ser empresa-cidadã é vir a ser, apesar do que já tenha sido. Um decálogo bem humorado ajuda-nos perceber alguns passos que devem ser observados pelas empresas que querem vir a ser empresas-cidadãs.

O exercício da responsabilidade social é complexo e dá trabalho. Nenhuma empresa chega a ser cidadã sem comprometer colaboradores, consumidores, vizinhos e comunidade, governo e fornecedores.

O exercício da cidadania empresarial difere do exercício do bom samaritano ou do bom-mocismo. Empresa-cidadã não é a empresa que se limita à filantropia, muito menos à pilantropia.

O exercício da cidadania empresarial não é para levar nenhuma empresa para o céu. Aliás, não há registro de empresas que tenham ido para o céu.

Mas a empresa que insistir em entrar no céu vai precisar de bons depoimentos a seu favor, no julgamento final. Logo, falar das boas ações realizadas, ajuda.

Empresas fazem erros; erros não devem fazer as empresas. Quer dizer, erros antes cometidos não devem servir de razão para erros do futuro.

A empresa-cidadã é o que pensa e diz que é.
Toda empresa tem um caráter, chamado com mais freqüência de cultura organizacional. Esse caráter move a empresa na busca de sua missão. Felizmente, para alguns casos, caráter está sempre em formação e pode ser regenerado.

Des-matar não significa ressuscitar. Nem todo dano pode ser desfeito, seja social ou ambiental. Há empresas que acham que desmatar é o contrário de matar. Sobretudo as empresas que atuam em negócios de risco ambiental, devem fazer da preservação também um negócio, atuando a favor da vida e não contra a morte.

O exercício da cidadania empresarial tem custo. Na empresa, custo é o nome da distância que há entre intenção e realização. Muitas vezes, os bons propósitos sucumbem diante da primeira conta a pagar.

O exercício da responsabilidade social tem receita. Nem só de custos é feita cidadania empresarial. Ela contribui para a efetivação de cenários mais favoráveis à realização dos negócios, para a atração de investidores, para a fidelização dos consumidores, para a satisfação e produtividade dos colabores, todos fatores propícios ao incremento das receitas.

O exercício da cidadania empresarial estica, encolhe, pode e deve ser medido e vale pelo uso que dele se faz, não pelo tamanho que tem. O ambiente da empresa-cidadã é dinâmico, nele o seu desempenho se transforma e, por isso, deve ser permanentemente medido. Além disso, não é o valor do investimento feito que assegura a qualidade dos projetos. Iniciativas de custo menor podem ter repercussão social maior do que iniciativas de custo grande.

QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ
A Acesita, desde 1993, realiza em Minas Gerais o projeto “Conheça o Oikós”, cuja finalidade é a utilização da reserva ecológica Oikós como laboratório vivo para estudos e pesquisas escolares. Cerca de 40 mil crianças já foram beneficiadas por esta iniciativa que preserva, educa e desenvolve a consciência, atitudes e valores adequados ambientalmente.

Criada em 13 de fevereiro de 1990, a Fundação Abrinq Pelos Direitos das Crianças promove os direitos de cidadania das crianças carentes brasileiras. Um bom exemplo da sua atuação é o projeto “Bola pra frente”, pelo qual produtores e revendedores de material esportivo repassam 3% do faturamento para o projeto, em benefício das crianças que podem assim aprender e praticar esportes, em instalações apropriadas e supervisionadas adequadamente.

ATÉ A PRÓXIMA
Quais os instrumentos que dispõem as empresas que desejam saber a quantas anda o seu desempenho social? Por que medir? Na próxima semana, esta coluna mostrará como se faz e quais as razões para medir a performance da empresa-cidadã. Até lá.

Paulo Márcio de Mello
Professor e diretor de Planejamento da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Correio eletrônico: [email protected]

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorEMPRESA-CIDADÃ
Próximo artigo“Amor com amor se paga

Artigos Relacionados

Capes evacuada pelo governo

Falta de apoio e de respaldo por parte da direção, pouco empenho para a retomada da avaliação quadrienal e inconsistência de prioridades.

As caras do governo…

Omitir a verdade é a cara do governo?

COP 26, até a próxima, se houver…

De acelerar a eliminação por acelerar a redução, não é só semântica.

Últimas Notícias

Fundos de investimento poderão atuar como formadores de mercado na B3

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou os fundos de investimento a atuarem como formadores de mercado na B3, a bolsa do Brasil. A...

ABBC: Selic deve subir 1,50 ponto percentual

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne na próxima terça-feira (7) para decidir sobre a nova Selic, a taxa básica...

Ibovespa fecha a semana em alta

(alta de 0,013%). O volume representou uma extensão do movimento positivo registrado na quinta-feira (2), quando o índice fechou com forte alta de 3,66%,...

China: Incentivos fiscais para investidores estrangeiros

A China anunciou que estendeu suas políticas fiscais preferenciais para investidores estrangeiros que investem no mercado de títulos da parte continental do país. A...

Brasileiro teria renda 6 vezes maior com indústria forte

Entre 1950–70, PIB do País foi multiplicado por 10.