A viúva paga

Por iniciativa do senador tucano Osmar Dias (PR), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, por unanimidade, requerimento solicitando para que o Tribunal de Contas da União (TCU) inspecione a auditoria realizada pelo Banco Central no Banco do Estado do Paraná (Banestado). Para justificar o pedido, Dias argumentou que o estado gastou R$ 5,1 bilhões no saneamento do banco, cujo preço mínimo de venda é de R$ 434 milhões, ou 11,7% do dinheiro investido. O senador defendeu a suspensão da privatização do Banestado, marcada para 18 de outubro.
O BC não vê
O senador usou palavras duras para definir a ação de cerca de 30 empresas, acusadas por ele de desviar recursos do Banestado, numa “ação tão ousada que lembra os filmes de Al Capone”. Para sustentar suas acusações, Dias mencionou o desconto concedido às Indústrias Bonetti S/A, que, segundo afirmou, equivale a cerca de 94% do total da dívida da empresa com o banco estadual. Diante dos dados apresentados pelo senador, a CAE aprovou ainda a convocação da diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, para explicar as operações suspeitas que o Banestado teria realizado.

Piora
Leitor assíduo dessa coluna, um psicanalista ligou preocupado com o agravamento da – digamos – confusão mental do presidente FH. O especialista, que já diagnosticou em outras ocasiões o problema de transferência de FH, justificou sua preocupação com dois fatos da semana passada. Primeiro, FH, após radicalizar com o MST e enviar o Exército para proteger os bens de seus filhos, resolveu dizer que era Itamar Franco quem estava tendo uma recaída ditatorial. Em seguida, em evento no Rio, disse que representa o “novo nacionalismo” – isso após assinar os contratos de entrega das reservas petrolíferas a empresas transnacionais. Realmente, o estado de FH inspira cuidados urgentes.

Risco
Será que o lançamento, pela Microsoft, da versão Millennium do Windows no parque de diversões no Hopi Hari – famoso por suas montanhas russas – tem alguma relação com os sustos que os usários vão tomar ao usar o software?

Contraponto
Uma das principais vozes do mundo acadêmico contra a globalização, o diretor do jornal Le Monde Diplomatique, Bernard Cassen, faz hoje a conferência inaugural do segundo semestre do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. O tema será a “Globalização econômica e a mundialização das alternativas” e terá como debatedor o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp. Professor da Universidade de Paris VII, Cassen está no Brasil para lançar o Fórum Social Mundial (FSM), cujo principal objetivo é estimular o debate sobre a globalização e alternativas ao projeto neoliberal, buscando a adesão de movimentos sociais, sindicais e intelectuais em todas as partes do mundo.

Tirando a máscara
Aparentemente crédulo no poder afrodisíaco das pesquisas, o prefeito Luiz Paulo Conde (PFL) resolveu assumir suas relações com o presidente FH na propaganda eleitoral. Na última vez em despiu seu traje de “não político”, pousando ao lado de ACM,  no primeiro turno das eleições de 96, Conde desabou de tal forma nas pesquisas que o comando de campanha deletou qualquer material identificando o candidato com a cúpula do PFL, a começar pelo cancelamento da ida de ACM ao Rio. Pelo visto, a lição não foi aprendida.

Emprego em pauta
O Conselho Federal de Economia (Cofecon) promove, no próximo dia 29, em Curitiba (PR), a terceira etapa do ciclo de debates “A questão do desemprego e as políticas públicas”. Os expositores serão os professores Jorge Mattoso (Unicamp), Liana Frota Carleial (UFPR) e Juarez Varallo (Tribunal Regional do Trabalho do Paraná e do Cofecon). O debate será coordenado por Nelson Karam, do Dieese-PR  e do Corecon-PR.

Choque elétrico
A Light demitiu 52 funcionários em apenas uma semana e prepara a dispensa de mais 70. Para tentar barrar as demissões, dirigente da CUT do Rio e do Sindicato dos Trabalhadores no Ramo de Energia se reúnem-se, hoje, com a diretoria da empresa. Os demitidos prometem acampar em frente à sede da empresa, na Praia do Flamengo. Em quatro anos de privatização foram para a rua 5.250 trabalhadores, afirma o sindicato.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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