Abaixo a classe média

Estudo que a FGV divulga nesta quinta-feira mostra quem ganhou e quem perdeu renda no Brasil. Na última Pnad, do IBGE, a renda média do brasileiro cresceu 3,6%, enquanto a dos pobres brasileiros cresceu 14,1%. Já nos últimos dez anos a renda média caiu 0,6% ao ano, enquanto a dos pobres cresceu 0,7%, já descontados o crescimento populacional. Ou seja, o Brasil vive o paradoxo da estagnação econômica com crescimento para os pobres, conclui a FGV.

Tirando o véu
A invasão do Congresso Nacional pelo obscuro MLST fornece vasto e didático material para estudo de caso sobre as posições e os interesses dos principais atores sociais e políticos contemporâneos. Ela revela, em primeiro plano, a esquizofrenia política dos líderes de um movimento que combina a dura crítica ao governo Lula e apoio ao mesmo governo e expõe o drama a que estão sujeitos os que se propuseram a anestesiar a oposição das ruas.
Pressionados por uma base social fermentada no combate às mesmas políticas praticadas pelo governo que continuam a apoiar, vêem-se levados a canalizar o protesto pela não realização da reforma agrária contra o Congresso Nacional – desmoralizado pela capitulação de suas principais atividades originais e pela leniência com os escândalos que envolvem seus pares. Essa investida não visa a obter o atendimento de reivindicações, mas desviar a cobrança do verdadeiro responsável pelo estelionato eleitoral.
Em vez de exigir do Executivo o fim do contingenciamento das verbas para a reforma agrária e para a agricultura familiar, desviadas para o pagamento de juros, movimentos como MLST tentam sustentar seu contorcionismo retórico para continuarem acendendo uma vela a Deus e outro ao Diabo.
A amplificação das consequências da ação do obscuro grupelho também serviu para desnudar o pouco apreço à democracia devotado pelos setores mais conservadores da política e da mídia. Em nenhum momento a democracia brasileira esteve sob o risco pela quebra de vidros no Congresso por cerca de 600 pessoas. A democracia nacional já mostrou em momentos muito mais relevantes seu vigor, como a total normalidade que se seguiu ao impeachment do primeiro presidente eleito pelo voto popular após 21 anos de ditadura militar. Na verdade, a retórica raivosa em prol do autoritarismo revela mais o saudosismo tardio das eternas viúvas da ditadura, que tentam se relançar na política se recorrendo aos mais baixos instintos da sociedade.
Tudo somado, a vida segue, com os invasores pagando o preço político, cível e criminal por seus atos inconsequentes; as viúvas da ditadura recolhem seus espasmos autoritários; e a democracia brasileira deve ser aprofundada para tornar inaceitável a presença de personagens que se elegem fazendo promessas aos setores produtivos e governando para a privilegiada e parasitária minoria de especuladores e rentistas.

Desaceleração
“O resultado do IGP-DI de maio, em relação ao mês de abril, apresentou uma óbvia e esperada aceleração, em função do avanço significativo dos preços no atacado neste período. Porém, o fim do processo de forte aceleração do IPA vem sendo identificado desde o último resultado do IGP-M, quando o índice também ficou em 0,38%”, analisa João Carlos Gomes, economista da Fecomércio-RJ. A estimativa da entidade para o IGP em 2006 é de 3,5% e 4,0%.

Na pista
O vôo 1511 da Gol, na última segunda-feira, decolou do Rio para São Paulo sem que fosse feita a – repetitiva, mas obrigatória – demonstração de segurança, norma internacional. Talvez o objetivo fosse poupar tempo e recuperar o atraso - de menos de dez minutos. Ao lado, na pista do Santos Dumont, às 10h05, o avião do vôo da Varig de 8h35 ainda embarcava passageiros.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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