Abaixo a ditadura

“Explicações técnicas e cabíveis”. O álibi agora brandido pelo (ainda?) ministro do Orçamento, Martus Tavares, não é original neste governo. Polivalente, seu uso parece disponível para justificar a queima de R$ 20 bilhões no Proer, a elevação das taxas de juros às nuvens ou a naturalização do desemprego. Em poucas vezes, no entanto, deixou digitais tão nítidas para muito além do debate ideológico ou, como preferem os tucanos, técnico. Abalados os fundamentos do paradigma, está aberta temporada ainda mais ampla do que a de apuração cirúrgica no coração do Planalto. Está em jogo o questionamento da própria ditadura da plutocracia que governa o país a partir de atos emitidos promulgados por burocratas sem votos e homologados por quem sequer os lê.

Olímpico
Pelo visto, austeridade para Martus Tavares, é coisa para ser praticada exaustivamente…pelos outros.

Encurralado
Até então incomumente contido sobre a conexão Eduardo Jorge/Planalto/Lalau dos Santos Neto, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), saiu do muro ontem ao analisar a incômoda permanência de Martus Tavares no governo: “Ou sai agora, numa boa, ou vai ter CPI.”

Valorizada
Os contadores de acessos às páginas da Internet acabam de receber um forte petardo na sua credibilidade. Segundo os organizadores do site da Eurocopa, durante o período da competição, o número de acessos à página da competição chegou a 1 bilhão. Com a população mundial em torno de 5 bilhões de pessoas, noves em fora o pouco apreço dedicado ao futebol pelos chineses, a assessoria do site dever estar a cargo de algum ex-ministro da Fazenda brasileiro.

Aposentados
A 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro condenou, no último dia 26, a Caixa Econômica Federal (CEF) a pagar contribuições vencidas e vincendas para com o fundo de pensão Prevhab, dos empregados do extinto BNH, relativas a 10 funcionários e funcionárias aposentadas daquele banco. O nó criou-se desde que a CEF, após absorver o BNH, transferiu apenas os servidores da ativa para o fundo de previdência complementar dos economiários, o Funcef.

Demografia
O assalto-sequestro ocorrido terça-feira em uma agência bancária em São Gonçalo, ao que parece, teve uma característica que mereceu pouca atenção da mídia. O primeiro número anunciado de reféns dava conta de 21 pessoas. Depois cresceu para 25 e, finalmente, nos jornais de quarta-feira dois números eram citados, 31 e 32. Será que nasceu gente enquanto durou o cárcere privado? Ou seriam “laranjas”?

Credibilidade
Você compraria uma bicicleta usada do Martus Tavares?

Invasão
Depois de sofrer com a concorrência dos produtores de laranja da Flórida e as barreiras tarifárias impostas pelos EUA para dificultar a importação, as companhias brasileiras de sucos cítricos decidiram enfrentar o inimigo no seu próprio território. Segundo levantamento publicado no jornal The Sun Sentinel, do Sul da Flórida, empresas do Brasil estão comprando fábricas de processamento localizadas naquele estado norte-americano e já controlam cerca de um terço do setor. A invasão brasileira na área de suco de laranja não está sendo recebida de modo muito amigável, apesar de, diplomaticamente, o diretor do Departamento de Cítricos da Flórida, Philip Lesser, falar ao jornal que “com a globalização, estamos nos transformando em um mercado muito integrado”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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