Abertura de empresas cresce, mas coronavírus afeta PMEs

Aumento de 9,4%, com 876 mil novas empresas - 75 mil a mais do que no mesmo período em 2019.

Empresas / 23:18 - 22 de mai de 2020

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O Brasil começou 2020 ainda em alta no que se refere a abertura de empresas no país. De acordo com os dados da Receita Federal, no primeiro trimestre do ano, houve um crescimento de 9,4%, com 876 mil novas empresas - 75 mil a mais do que no mesmo período em 2019. A participação dos MEI atingiu 80%, puxado pelo segmento de serviços (11,9%) e a Indústria (7,7%). Mas, com a chegada da pandemia e com a quarentena decretada no meio de março, o cenário se transformou.

“A pandemia trouxe novos desafios para o mercado, adaptações que tiveram que ser feitas da noite para o dia, e com isso vem muita insegurança sobre o momento futuro. O resultado disso é que o Brasil sofreu uma queda brusca de 28% de abertura de empresas com a pandemia. E o impacto foi ainda mais forte, de 60%, naquelas aberturas que envolvem processos locais e custos. Parte pela dificuldade da operacionalização de processos 100% digitais em um período em que órgãos estão fisicamente fechados, parte pelo momento do empreendedor de evitar custos”, afirma Guilherme Soares, VP de Growth da Contabilizei, escritório de contabilidade. Estima-se que 80 mil empresas deixaram de abrir por conta desse cenário no primeiro trimestre do ano.

Os MEIs tiveram redução de abertura de 21% e ME, EPP e outros tiveram redução de 60%. Entre os estados, as maiores baixas foram no Paraná (-43%), São Paulo (-39%) e Santa Catarina (-38%), e dentre os setores mais atingidos o de serviços teve baixa de 31%, nos segmentos de advocacia (-81%), saúde (-66%) e arquitetura e engenharia (-60%). Os setores de comércio e indústria também registraram quedas, de -27% e -17%, respectivamente. As cidades de São Paulo, Curitiba e Ribeirão Preto, que vinham sendo destaques no crescimento, tiveram queda de 39%, 46% e 48% respectivamente após o período em que o isolamento social foi iniciado.

O efeito Covid-19 também atinge as PMEs já operando. “Na Contabilizei, as notas emitidas no mês de abril, após a intensificação da quarentena, caíram 10,3% se comparado a março. O faturamento dessa base também teve queda, de 8,3%, ou seja, as empresas estão faturando menos. Analisando o segmento de serviço, vimos que o ramo de Educação e Marketing são os mais impactados, enquanto os prestadores de serviço de TI são os que menos tiveram impacto no faturamento”, conta Soares. Ele diz ainda, conforme dados da empresa, que o Estado do Rio de Janeiro lidera essa queda, com 18,5% a menos de NF emitidas, seguido do Paraná e Minas Gerais com 14,2% cada um. Há também um movimento de mudança de contador por empresas que já estão em funcionamento e que passaram a ter a contabilidade online. “Muitos empreendedores que já tem suas empresas abertas estão aproveitando o momento e migrando para a contabilidade online. Assim reduzem seus custos garantindo um serviço de qualidade. Para atender a esse aumento de demanda, reorganizamos as equipes internamente provendo atendimento ainda mais personalizado”, analisa Soares.

Os dados da Receita Federal apontam ainda alguns destaques de estados e municípios que estão fechando os meses de forma mais positiva como Belém (PA) com aumento de 66%, Nova Iguaçu (RJ) com 16% e Aracaju (SE), com 9%. Entre os estados, o Pará foi o único que terminou de forma positiva, com +27%. Ainda não é possível prever sobre os impactos do coronavírus daqui alguns meses, mas os estados, municípios, empresas e profissionais liberais, precisarão trazer novas soluções que vão transformar o mundo econômico dos próximos anos.

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