Abnegado

Se confirmada a informação de que Flávio Decat de Moura vai presidir a Eletrobrás, isso significa que ele deixará seu posto de executivo no grupo Rede para ganhar na estatal cerca de 1/3 do que recebe atualmente – mas com muito mais poder.

Coragem, presidente!
Ainda que o déficit de credibilidade de institutos de pesquisa seja somente comparável ao das agências de classificação de risco, a divulgação de pesquisa apontando que cerca de 70% dos brasileiros esperam que a presidente Dilma Rousseff faça um governo ótimo ou bom deve ser vista, não apenas como um voto de confiança – recorrente antes da posse de uma nova administração – mas, principalmente, de desejo de mudanças profundas no Brasil. Enquanto a campanha eleitoral tenha sido fortemente despolitizada, ao ser pautada pela agenda pasteurizada dos marqueteiros, o eleitorado foi muito nítido em sua manifestação contrária a retrocessos em relação aos seus direitos.
Com isso, Dilma recebeu, não apenas apoios assertivos, mas, também, grande quantidade de votos contra o retorno do tucanato ao poder. A candidata mostrou ter captado esse sentimento, ao bater forte nas bandeiras mais impopulares do PSDB, como as privatizações e a política de arrocho fiscal.
Ainda que elas também tenham sido praticadas largamente pelo Governo Lula, a campanha de Dilma, ao rechaçá-las, mostrou ter noção do nível de impopularidade dessas propostas. Aliás, foi a flexibilização de algumas dessas medidas, como a tímida redução de juros e o aumento do gasto público, que permitiram ao Brasil sair com rapidez da crise, embora o preço pago não tenha sido desprezível, justamente pela persistência do modelo até 2008.
Ao assumir, Dilma será portadora de dois sentimentos igualmente grandiosos: a responsabilidade de manter e aprofundar os ajustes de rota empreendidos no fim do Governo Lula e o apoio popular para levar a cabo essa tarefa. Nesse sentido, medidas como o não reajuste da tabela do Imposto de Renda e negativa de aumento real do salário mínimo e de aposentadorias, entre outras exigidas por setores minoritários, devem ser rapidamente corrigidas. Apoio, para isso, não haverá de faltar. Coragem, presidente!

Ministro “Porcina”
O ano termina sem que ninguém roube do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), o “mico” do ano: a nomeação virtual de Sérgio Côrtes para ministro da Saúde.

Mãe
E num ano em que o Brasil pagou, até novembro, R$ 175,834 bilhões de juros, veio do presidente do Itaú, Roberto Setebual, a melhor síntese dos oitos anos de Lula: “Lula foi o melhor presidente da história do Brasil.”

Pai
É verdade que o presidente Lula, nos seus oito anos de administração, também assegurou ganho real (acima da inflação) de 53% ao salário mínimo, o que repercutiu no bolso de aposentados e pensionistas que recebem apenas o piso. O que, em grande medida, ao lado da expansão do crédito, permitiu ao país retomar o crescimento após um ano de recessão.

Capital&trabalho
Por isso mesmo, é inexplicável que, no último ano de seu governo, Lula negue-se a conceder aumento real ao mínimo. A alegação de que a concessão de ganho real em 2011 desrespeitaria a regra de reajuste acordada com as centrais sindicais desconsidera o fato de o índice do ano que vem ser afetado pela maior recessão mundial desde os anos 30, o que fez a economia do Brasil encolher 0,6%. O mesmo raciocínio não valeu para manter, corretamente, benefícios fiscais para setores empresariais, como a construção civil. Ou seja, quebra de contrato, só vale em relação ao trabalho?

Feliz Ano Novo
Esta coluna retribui e deseja a todos os seus leitores – cujo número, em 2010, segundo o Instituto MM, com margem de erro inferior ao das agências de classificação de risco e os institutos de pesquisa eleitoral, cresceu entre 0,1% e 100% – um Excelente 2011, com muita saúde, paz e marcado por um crescimento da economia, com distribuição dos ganhos para todos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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