Abram os olhos

A gafe cometida pela Times, ao estampar a foto de um chinês numa matéria destinada a destacar a importância dos imigrantes latinos nas eleições presidenciais dos Estados Unidos mostra o nível de etnocentrismo que domina a visão política e cultural daquele país. Michael Shennum teve sua foto colocada ao lado de 19 outros personagens identificados pela Times como “hispânicos” – outra distorção, por tratar como tal todos habitantes do país com antecedentes, ainda que remotos, de falantes do espanhol, e inclui até brasileiros. Em tempo, a matéria da revista é favorável aos latinos, criticando democratas e republicanos por não darem a um contigente de 12 milhões de eleitores a devida importância que desempenham na construção dos EUA.

Show
Aliás quem acompanha a agenda de patetices que domina as prévias do Partido Republicano tem um caso exemplar e didático da diferença, abissal, entre democracia e entretenimento. Assim como no seu irmão siamês, o Partido Democrata, nas eleições internas republicanas leva vantagem, não quem apresenta as idéias e as propostas mais ousadas e concretas para tirar os Estados Unidos da sua gigantesca crise, mas, sim, os que reúnem mais apoios financeiros, para montar estruturar partidárias e influenciar delegados.

Ameaça à Amazônia
Em 2009, 42% da população da Amazônia viviam em extrema pobreza, enquanto a média brasileira, naquele ano, era de 29%; a pobreza extrema no Brasil foi reduzida de 20% para 11%, mas no Amazonas e no Amapá aumentou. Na região que mais tem recursos hídricos do mundo, os serviços públicos de acesso à água potável e ao saneamento básico são precários: em 2009, 34% da população amazônica não tinham água encanada; até 2008, pelo menos 81% dos municípios amazônicos não tinham nenhuma rede de coleta de esgoto. Os dados são citados pelo deputado Francisco Praciano (PT-AM) para demonstrar que, embora a Região Amazônica seja rica em potencial, sua população continua vivendo em estado de pobreza. Combate à pobreza pode não render elogios de ecologistas, mas melhora a vida da população e reduz danos ecológicos.

Com lupa
A dois anos da Copa do Mundo, uma ONG defensora de coisas raras e improváveis procura pelo menos um brasileiro – jovem ou de outra categoria protegida pela Lei da Copa – que consiga comprar com meia-entrada um dos 300 mil ingressos ao preço “promocional” de US$ 50, para uma partida do Brasil. Também busca um idoso que, em qualquer jogo da seleção brasileira, ingresse no estádio pagando meia-entrada. Quem alcançar a façanha ganha uma camisa autografada do Brasil, assim que Deivid conseguir fazer seu próximo gol. A ONG não aceita como prova índios falantes em inglês e com celular nem ingressos especiais para partidas eletrizantes, como Austrália x Ilhas Samoa.

Aos borbotões
A Universidade Estácio de Sá fechou o ano passado com 240 mil alunos, ou clientes – na gramática do mercado financeiro que transforma a educação em commodity – na graduação e na pós-graduação, 14,3% mais  sobre 2010. Desse total, 200,6 mil estavam matriculados nos cursos presenciais e 39,4 mil em cursos de ensino a distância. Os números incluem a Faculdades Atual (Roraima) e FAL e Fatern (estas duas em Natal), compradas pela Estácio ano passado. Desconsideradas “as aquisições”, o número de alunos ficou em 230 mil, 9,5% mais do que em 2010.

Educação
“Gestão do professor em sala de aula – a competência do educador do século XXI” é o tema da palestra que o doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) Celso dos Santos Vasconcellos fará dia 10, para educadores, no Colégio Anglo-Americano. Segundo Rosa Boselli, diretora geral do Anglo, um dos principais temas do encontro será a importância do olhar criativo e envolvente do professor, inserindo o aluno nas questões da atualidade. A palestra acontecerá às 11h30m, no Centro Cultural Anglo-Americano – Barra (RJ).

Desobrigados
A Justiça Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) concedeu liminar à União que suspende o pagamento de R$ 8 bilhões às entidades de previdência privada, referente a Obrigações do Fundo Nacional de Desenvolvimento (OFNDs). O imbróglio foi levantando por esta coluna, na nota “Obrigados”, publicada no último dia 27 (28, no impresso).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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