Abre o olho, Dilma!

A Ferrocarril Domingo Faustino Sarmiento, linha em que ocorreu, quarta-feira, o terceiro maior acidente ferroviário da história da Argentina, com cerca de 50 mortos e 600 feridos, é operada pela empresa Trens de Buenos Aires (TBA). O setor foi privatizado nos anos de vale tudo de Carlos Menem, que transferiu a área de transportes para mão$ privada$.

Lata do lixo, “no”!
Há pouco mais de duas décadas, a China cresce dois dígitos por ano, justamente, por desconsiderar o receituário que serve de âncora de chumbo para a esmagadora maioria das economias periféricas, entre as quais o Brasil. Apesar disso, ano após ano, tecnocratas dos bancos globais, do FMI e de outros órgãos multilaterais insistem em aconselhar os chineses a adotarem seus fracassados programas ortodoxos.
Agora, com a Europa às vésperas de novo mergulho numa profunda recessão e com os Estados Unidos estagnados, o Banco Mundial (Bird) divulgou o relatório China 2030, no qual aconselha a nova geração que assumirá o poder no país asiático, segundo conta o The Wall Street Journal, a reduzir o papel do Estado na economia.
Segundo o “jornalão” estadunidense, o relatório prevê que o crescimento do país correria o perigo de “desacelerar de forma rápida e imprevisível”, repetindo o ocorrido em muitos países em desenvolvimento depois de atingirem determinado nível de renda, “fenômeno que economistas do desenvolvimento chamam de “armadilha da renda média””. Caso a previsão de forte desaceleração se confirme, os autores do documentos, prevêem que isso poderia aprofundar os problemas no setor bancário e em outras áreas.
Para manter o crescimento e fugir dessa armadilhas, os tecnocratas do Bird, claro, recomendam que a China mude radicalmente o que há décadas permite o robusto crescimento chinês, reduzindo o papel do Estado na economia e fazendo as estatais operarem como empresas comerciais.
O documento e suas recomendações devem ter o mesmo destino dos demais: a lata do lixo.

Canais
A confusão recorrente das empresas entre mídia social e marketing tem produzido frequentes atritos entre departamentos das companhias. Numa das principais seguradoras do país, o clima ficou tenso depois que o departamento de informática acusou a área de mídia sociais de causar um “pico no sistema” devido ao grande número de reclamações postadas no Facebook. O pessoal do setor se defendeu argumentando que isso não aconteceria se o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) funcionasse a contento: “Os clientes não conseguem falar com o SAC, então, vêm reclamar no Facebook”, argumentou um dos representantes da área de mídias sociais da seguradora.

Resolvam
Moral da história: embora as empresas insistam em apresentar suas diferentes mídias, principalmente, na internet como um espaço de marketing, o que os clientes querem mesmo é um canal que, efetivamente, resolva os (muitos) problemas causados pelas companhias.

Xaxim ecológico
Em mais uma prova de que desenvolver tecnologia própria é bom negócio, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) colhe também frutos ecológicos. Abriu edital para selecionar empresas interessadas em produzir e comercializar o xaxim agroecológico. A planta foi desenvolvida por enraizamento vegetal e já está protegida por pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O xaxim tradicional vem do tronco da planta Dicksonia selowiana, espécie em extinção e cuja extração está proibida por lei. O edital para as empresas com interesse em produzir o novo xaxim está disponível no site http://snt.sede.embrapa.br/licitacao/. Os interessados têm até dia 2 para envio da documentação.

Batom no pódio
Metade dos atletas patrocinados pela Procter & Gamble (P&G) nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, serão mulheres. Em 2010, a P&G e o Comitê Olímpico Internacional (COI) assinaram uma parceria de dez anos, cobrindo os próximos cinco Jogos Olímpicos.

Cavalos de tróia
De degrau em degrau, o trio de poodles – Pasok, Nova Democracia e Laos – que, à frente do governo grego se submete a condições cada vez mais humilhantes exigidas pela tróica – FMI, União Européia e Banco Central Europeu – transforma a Grécia numa República de Bananas. Depois de aceitar até que que enviados dos credores supervisionem a aplicação das medidas, resta só uma dúvida: também vão permitir a privatização da Acrópole?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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