Abriu mão

Ao anunciar que zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre renda fixa para aplicações de estrangeiros – leia-se nacionais aplicando via paraísos fiscais – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, abandonou um dos principais dogmas da equipe econômica: o de que toda renúncia fiscal para ser efetuada precisa vir acompanhada da sua forma de compensação. Em outubro de 2009, ao resolver taxar em 2% essas aplicações, a Receita Federal previa arrecadar mais R$ 4 bilhões por ano com a medida. Com o aumento da alíquota para 4%, a Receita estimou recolher mais R$ 1,5 bilhão por ano. De onde vai vir a compensação, Mantega? Das verbas sociais ou de custeio das atividades?

Fugir da morte
Embora seja recorrente ministros da Fazenda verem sua sinceridade ser posta em questão, ao menos desta vez, Mantega foi sincero: muito mais do que baixar a inflação via queda do dólar, a decisão de zerar o IOF visa um inimigo mais forte: evitar uma crise no balanço de pagamentos. Como já ensinava o ex-ministro Mario Henrique Simonsen, um dos ícones do conservadorismo, inflação aleija, mas câmbio mata.

Vazamento
O custo total médio de um incidente de violação ou vazamento de dados em 31 empresas no Brasil somou R$ 2,64 milhões. Nos Estados Unidos, ficou ligeiramente abaixo de R$ 11,5 milhões, informa a Symantec no Relatório 2013 sobre o Custo do Vazamento de Dados. Falha humana e de sistema são as principais causas da violação de dados; juntos, responderam por 64% dos vazamentos. As empresas podem avaliar seus próprios riscos visitando a Calculadora de Riscos em http://bit.ly/FOf2fX.

Caminhão mortal
Com uma frota correspondente a 3,1% dos 77,8 milhões de veículos registrados no país, os caminhões estão envolvidos em 21% dos acidentes com mortes. Assim, o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, lança, nesta quinta-feira, campanha voltada aos motoristas profissionais de caminhões, ônibus, vans e taxis. O governo amplia o raio de ação das ações contra acidentes de trânsito, sem ficar preso à falsa solução da Lei Seca. A cantora sertaneja Paula Fernandes gravou o jingle da campanha e fez uma participação no filme de 30 segundos.

Na Marginal
A Prefeitura de São Paulo poderá ser responsabilizada por prejuízos aos comerciantes da Feira da Madrugada, que foi fechada no final de maio para obras e que deve ser reaberta em 60 dias. A afirmação é do advogado Rodrigo Karpat, especialista em Direito Imobiliário e sócio do escritório Karpat Sociedade de Advogados. Enquanto o espaço da Rua Barão de Ladário estiver em reforma, a Prefeitura deverá encontrar alternativas, defende o advogado. Os comerciantes querem se instalar por 60 dias em um terreno na Marginal do Tietê, ao lado da Ponte do Limão.

Prorrogadas
As inscrições para o Prêmio ACRJ de Sustentabilidade foram prorrogadas até dia 21. Podem concorrer micro e pequenas, médias e grandes empresas fluminenses que realizaram ações na área da sustentabilidade no Estado do Rio de Janeiro.

Na retranca
A imprensa festiva que tenta naturalizar o escândalo em que foi transformado o novo Maracanã, com a privatização e a exclusão do estádio do público fora da elite, parece ter sido surpreendida com uma partida que não esperava jogar. Diante da repercussão dos protestos de internautas nas redes sociais, inclusive nas contas dos “chapa branca”, alguns jornalistas dessa fauna já não escondem mais seu incômodo com as críticas. Talvez, por esperarem ganhar por WO a batalha da desinformação.

Antecedentes
Têm cheiro de hipocrisia as repercussões causadas pela declaração de Luís Roberto Barroso, cuja indicação para  ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi aprovada pelo Senado, de que o STF pesou a mão no julgamento do mensalão. Noves fora a ansiedade de setores midiáticos em antecipar o voto de Barroso sobre as apelações dos condenados pelo mensalão, se responderia melhor à questão levantada por ele apontando meia dúzia de corruptos – e o país tem uma robusta lista de notórios dessa fauna – que tenham recebido tratamento análogo em julgamentos anteriores do Supremo. Para o futuro ministro, a decisão do STF sobre o mensalão não gerou jurisprudência.
 

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorChamando o calote
Próximo artigoSaco sem fundo

Artigos Relacionados

Engie valerá R$ 2,5 bi a mais após acordo com Aneel

Semana passada, o Monitor noticiou que a proposta da Aneel de repactuação do risco hidrológico (GSF) deixaria a conta a ser paga pelo pequeno...

Apelo de Biden ao multilateralismo fica sem crédito

Na ONU, presidente dos EUA desmente mundo dividido em blocos rígidos.

Fintechs e bancos disputam quem cobra mais

‘Não temos vergonha de sermos bancos’, diz Febraban; mas deveriam.

Últimas Notícias

Eletricidade fez grupo habitação puxar IPC-S para cima

Indicador sobe 1,27% na terceira quadrissemana de setembro.

#Occupy Bovespa

Um mês depois de o MST ter-se lançado na Bolsa, MTST ocupa B3, para protestar contra Bolsonaro, especulação, fome e desemprego.

Copom elevou taxa de juros em 1% para 6,25% ao ano

Aguardamos agora a ata que será divulgada na próxima terça-feira para maiores informações sobre a trajetória da taxa Selic.

Alemanha escolhe sucessor de Merkel no próximo domingo

Eleições deverão ser as mais concorridas dos últimos anos; pesquisas indicam vitória do SPD, social-democrata.

Reajuste salarial fica abaixo da inflação em agosto

Fipe: não houve aumento mediano real como resultado de negociações nos últimos 12 meses; desde setembro, índice tem oscilado de -1,4% a zero.