Abstinência perigosa

“O maior problema do presidente da República – o qual, este sim, preocupa cada vez mais os brasileiros – é a “abstinência” de confrontar a voraz usura da alta finança internacional. Se assim o decidisse, certamente, a grande maioria dos brasileiros se juntaria a ele de bom grado para brindar com doses duplas da melhor caninha nacional.” Assim, o Movimento de Solidariedade Ibero-americana sintetiza, na versão brasileira de seu boletim, o imbróglio entre o presidente Lula e The New York Times.

A volta dos mortos-vivos
O continuísmo petista produz, além de desalento e indignação entre seus eleitores, corolário não menos amargo: o ressurgimento de personagens soterrados pelas urnas a sete palmos. Com o desgaste do governo, ressurgem com o mesmo ar “de não tenho nada a ver com isso”, como se nos oito anos que comandaram o país não o tivessem levado de oitava potência mundial para um melancólico 12º lugar.

Populismo renegado
A propósito de suas críticas aos políticos que “vendem ilusões”, o ex-FH poderia explicar ao público como classifica políticos que, montados em jegues, anunciam aos baianos que “o real vale mais que o dólar”.

Aposentados
Se já estava quente, pegou fogo a disputa pela presidência da Fiesp. Claudio Vaz – que é apoiado pelo atual presidente, Horácio Lafer Piva, – desdenha das pesquisas que colocam Paulo Skaf na frente da corrida. Na avaliação de Vaz, quem tem tamanha certeza de vitória no pleito não deveria estar preocupado em ressuscitar sindicatos em fase de extinção. “O Sindicato da Indústria de Chapéus e o da Indústria de Descaroçamento de Algodão, por exemplo, eram dois sindicatos inativos há mais de cinco anos e que, de uma hora para outra, estão querendo ressuscitar. E estão querendo ressuscitar exatamente estimulados pelo meu adversário, que conta com esses dois votos na sua campanha”, afirmou. Vaz contabiliza o apoio “firme” de 52 sindicatos  e diz que há 24 oficialmente indecisos. São 122 sindicatos com direito a voto nas eleições da Fiesp.

Câmbio
Explicar os mecanismos cambiais, identificar a influência de diversos fatores na formação do preço da moeda estrangeira e possibilitar o acompanhamento das operações de câmbio são os objetivos de curso sobre câmbio que a Associação e o Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro realizarão de 17 a 21 deste mês. Informações: (21) 2253-1538 e 2203-2188 ou [email protected]

Falência
O projeto de lei que o governo federal enviará reservando 50% das vagas das universidades federais para alunos que tenham cursado o ensino médio em escolas públicas é, mais que um reconhecimento da falência do ensino estatal básico (o que não é novidade), a confissão de que pouco se fará para mudar esse quadro em curto prazo. Além de não resolver a deficiência dos níveis básico e médio, de quebra a proposta levará à decadência das instituições federais de ensino superior, que são as melhores do país, entre outros motivos, por serem as procuradas pelos melhores alunos.

Banca
Como alternativa para o projeto que reserva cotas para alunos de escolas públicas, um professor mais calejado e levemente cínico sugere que sejam montadas banquinhas nas ruas das principais cidades para distribuição direta de diplomas. Cobrando alguns caraminguás de cada futuro engenheiro ou “adevogado”, o MEC ainda ajudaria o Palocci a elevar o superávit primário.

Falso pobre
Menos irônicos, outros profissionais da educação estimam que vai faltar vaga nas escolas de ensino médio para os alunos que para lá migrarão em busca da aprovação mais fácil no vestibular. De quebra, cursinhos privados poderão oferecer ensino “complementar”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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